Iniciado no início deste mês, período de defeso proíbe que pescadores exerçam atividades pesqueiras para garantir reprodução de ecossistema fluvial
No início deste mês de novembro, o período denominado como ‘defeso da piracema’ começou no Rio São Francisco, um dos cursos d’água mais importantes do Nordeste. Durante quatro meses, do primeiro dia de novembro até o último de fevereiro, os pescadores que realizam suas atividades no leito do rio são proibidos de pescar.
Essa proibição ocorre porque, durante esse período, diversas espécies de peixes passam pelo processo de migração e entram no período reprodutivo. A etimologia da palavra ‘piracema’ vem do tupi-guarani, onde ‘pira’ significa peixe e ‘cema’ subida, referindo-se ao fluxo migratório das espécies.
“O defeso da piracema é o período de proibição da pesca, onde cada estado determina suas condições e leis para a manutenção da vida dessas espécies e do estoque pesqueiro para as futuras gerações”, explica William Ruiz, analista ambiental da Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e de Fernando de Noronha de Pernambuco (Semas-PE).
“O período de piracema é, por lei, um período de proteção desses organismos biológicos, que ficam mais suscetíveis e mais frágeis durante a migração”, destacou.
Com a proibição para as atividades pesqueiras, as espécies migratórias e em período de reprodução conseguem encerrar esses ciclos, garantindo a continuidade das espécies e o equilíbrio ambiental no leito do rio.
William destaca que a piracema não acontece de forma uniforme em todas as regiões do país. “A piracema tem as suas particularidades em cada região geográfica do país, cada um tendo, portanto, o seu próprio período de defeso”, ressaltou.
Durante todo esse período, o pescador que depende dessas espécies para garantir a sua renda recebe o chamado ‘seguro-defeso’. Esse seguro, no valor de uma salário mínimo, permite que os profissionais da pesca não sejam financeiramente impactados e garantam a renda para as famílias.
Ainda segundo William, as espécies migratórias e em fase de reprodução variam de estado para estado, mas afirma que a maioria das espécies de água doce entram nesses períodos juntos na piracema.
