Estudo, que faz parte do programa ‘Raízes da Caatinga’, compilou dados sobre a restauração do bioma e diagnosticou os desafios a serem superados
A Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e de Fernando de Noronha de Pernambuco (Semas-PE) esteve presente, na manhã desta terça-feira (23), no lançamento da publicação “Restauração de Paisagens e Florestas no Bioma da Caatinga”, na Secretaria de Assistência Social de Afogados da Ingazeira, no Sertão do estado. A Semas-PE, representada pela gerente geral de Biodiversidade e Floresta, Maíra Braga, e pela técnica ambiental Febe de Oliveira, participou de um debate sobre os desafios socioambientais nas regiões do Cariri Ocidental, na Paraíba, Sertão do Apodi, no Rio Grande do Norte, e do Pajeú, em Pernambuco.
Além de Maíra, a mesa de debates contou com a presença do coordenador técnico do Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (Cepan), Pedro Sena, e da coordenadora da Rede de Mulheres Produtoras do Pajeú, Apolônia Gomes.
Desenvolvida pelo instituto WRI Brasil em parceria com a fundação holandesa IDH, a publicação faz parte do programa ‘Raízes da Caatinga’, que busca apoiar municípios dos estados do Rio Grande do Norte, Pernambuco e Paraíba na construção e implementação de pactos de produção sustentável, proteção da vegetação nativa e inclusão social, tríade conhecida como PPI. Essa publicação é fruto de um estudo, integrado ao programa, que trouxe um diagnóstico acerca da realidade e desafios vivenciados pelos sertanejos.
“Essa publicação trata de oportunidades e desafios para a restauração da Caatinga. Traz um diagnóstico bem interessante, com várias informações e mapeamento de atores sociais envolvidos na restauração”, explica Maíra.
Os números levantados pelo estudo indicam um total de 330 mil hectares aptos para a restauração ecológica e mais de 168 mil para a restauração produtiva, que possibilita a implantação de arranjos agroflorestais, em todas as três regiões, que também contam com 261 organizações que atuam na conversação ambiental.
Especificamente no Sertão Pajeú, situado no centro-norte de Pernambuco, a pesquisa apontou que a região possui um ampla distribuição da restauração produtiva, abrangendo uma área de aproximadamente 42% da zona total de restauração. Essa área também concentra uma quantidade significativa de Sistemas Agroflorestais (Saf’s) e de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), especialmente em regiões próximas aos rios.
A restauração hidroambiental, que consiste no processo de recuperação de corpos hídricos (rios, açudes e lençóis freáticos), possui a maior área de restauração, com um total de 64 mil hectares aptos, com ênfase nas regiões sudeste e nordeste da microrregião, que são mais impactadas pela aridez e escassez hídrica.
“A publicação também evidencia que o sertão do Pajeú é bastante ativo e bastante articulado nessa pauta de restauração, recuperação ambiental e sustentabilidade, inclusive envolvendo muitos aspectos de agroecologia, sempre vendo a restauração no seu aspecto socioeconômico e envolvendo as comunidades”, pontuou.
Maíra também destacou a relevância da publicação para a formulação de políticas públicas e o direcionamento de subsídios para as regiões mais propícias à restauração, enfatizando o trabalho da Semas-PE nesse objetivo.
“Esse trabalho que eles apresentaram, que está consolidado nessa publicação, é bem importante para servir de base para subsídios. São informações que foram muito bem sistematizadas a partir de um processo técnico e participativo de mapeamento das informações sobre as ações, potencialidades, oportunidades e desafios para a restauração que também vão servir como orientação para a priorização de práticas de restauração, recuperação ambiental, sustentabilidade e políticas públicas. Então existe toda a conexão com o trabalho que a SEMAS faz, ajudando a melhorar e a nortear algumas prioridades”, ressaltou.
Além dos membros da Semas, Cepan e Rede de Mulheres Produtoras do Pajeú, a reunião também contou com a presença de Tassiane Novacosque e Natércia Araújo, da Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH), e de diversas organizações, coletivos e associações situadas nas regiões englobadas pela pesquisa.
