Foto: Raul Holanda/GCom Semas-PE.

Trabalho une agricultura familiar, protagonismo feminino e recuperação de áreas degradadas próximas a loteamentos agrários

A Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e de Fernando de Noronha de Pernambuco (Semas-PE) executou esta semana, junto com a organização Mãe Terra, o projeto ‘Mulheres semeando Agroflorestas do campo à cidade: recuperação de áreas degradadas em assentamentos da reforma agrária’. A iniciativa foi contemplada no edital 01/2021 do Fundo Estadual do Meio Ambiente (Fema).

O projeto, iniciado em 2022 e com previsão de término em 2024, está implantando um Sistema Agroflorestal (SAF) no Assentamento Che Guevara, do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), localizado em Moreno, na Região Metropolitana do Recife, que abriga cerca de 120 camponeses. Para tornar viável a manutenção da SAF, o projeto ainda auxiliou na construção de um viveiro para o cultivo de mudas de espécies da Mata Atlântica.

Segundo Matias Toplas, assistente administrativo do projeto, o objetivo é criar uma integração entre o campo e a cidade, atraindo os moradores dos grandes centros para os locais de cultivo, como os assentamentos, para compreenderem a forma de produção desses locais.

“A ideia é que pessoas da cidade venham trabalhar em mutirões para, além de conhecer a realidade dos camponeses, do campesinato, ajudá-los na prática, na produção de alimentos saudáveis. É um espaço que funciona também para a conscientização das pessoas e para a difusão da agroecologia por ser um espaço de construção pedagógica”, enfatizou. Ele ainda explicou que boa parte da produção do local é direcionada às cozinhas solidárias de regiões próximas.

O aspecto pedagógico, destacado por Matias, pode ser usufruído tanto por visitantes que desejam conhecer os assentamentos, quanto pelos próprios assentados, já que eles têm a oportunidade de participar de oficinas sobre cultivo, podas de árvores e manejo dos Sistemas Agroflorestais.

Um dos grandes destaques do projeto é a força do protagonismo feminino. Maioria no assentamento, as mulheres participam dos mutirões e oficinas, cultivam, cozinham e multiplicam as práticas aprendidas para outros lotes do assentamento. 

“O projeto tem a característica do protagonismo das mulheres nesse contexto, porque a ideia é que elas trabalhem no roçado coletivo e multipliquem essas experiências do roçado coletivo, nas suas propriedades, nos seus lotes, no assentamento e consigam gerar renda e diversificar, não só em termos de ecossistema, do bioma, mas também da própria produção dos alimentos nas suas propriedades”, destaca Ana Paula Moraes, analista ambiental de agroecologia da Semas Pernambuco.

Willames Teixeira, um dos integrantes do assentamento, ressaltou a participação do coletivo para garantir a execução do projeto e o pleno funcionamento do SAF. “O trabalho que temos aqui se baseia muito no coletivo. A gente se junta e, aos poucos, vamos conseguindo cultivar o que precisamos”, contou.