Instituição celebra o Dia Nacional da Mata Atlântica em 27 de maio
*Por Miguel Albuquerque
O Dia Nacional da Mata Atlântica, 27 de maio, é uma ótima oportunidade para falar do maior fragmento deste bioma em espaço urbano de Pernambuco, o Parque Estadual de Dois Irmãos (PEDI). Localizado na região metropolitana do Recife, ele é uma Unidade de Conservação de proteção integral com mais de 1000 hectares, que tem como objetivo proteger a biodiversidade, os mananciais hídricos e as amostras ecossistêmicas desse bioma.
A Mata Atlântica possui uma das maiores biodiversidades do planeta Terra, abrigando cerca de 16.000 espécies de plantas e 2.500 espécies animais. Entretanto, ela está fortemente ameaçada depois de ter sofrido muito com exploração e desmatamento.
Por isso, é importante ressaltar a história do Parque, que desde 1916 se tornou uma área protegida com a criação do Horto Florestal de Dois Irmãos. Anos depois, esse espaço foi transformado no Horto Zoobotânico (1939), Reserva Ecológica (1987) e finalmente, em 1998, passou a ser entendido como Parque Estadual de Dois Irmãos. Toda essa caminhada mostra que é possível conservar um fragmento de mata em plena metrópole.
“Manter esse patrimônio ambiental ao longo dos anos é uma grande conquista para sociedade e o dever do Estado, como responsável pelas garantias essenciais à vida e mediação dos diversos interesses. Ter o Parque em meio da cidade impulsiona a vivência e a reconexão da sociedade com a natureza! Ainda, é essencial para assegurarmos a permanência de várias formas de vida em seu local original, além de possibilitar vários benefícios para a sociedade,” afirma a gerente geral do Parque Dois Irmãos, Marina Falcão.
O Parque possui diretrizes voltadas à manutenção da biodiversidade local, valorizando o estudo científico e ações de investigação e monitoramento ambiental. A unidade também abriga o Zoológico do Recife, que exerce um papel fundamental para a sensibilização e educação ambiental, conservação das espécies nativas e projetos voltados à conservação de fauna ameaçada de extinção. Nesse espaço, há sucesso na reprodução assistida de animais como primatas, ararajuba e tamanduá-bandeira.
Além desse importante projeto, existem outros serviços que o Parque oferece apenas com sua existência. Eles são chamados de serviços ambientais, que são divididos em quatro grupos: provisão, regulação, suporte e cultural.
A provisão é a capacidade dos sistemas fornecerem bens como água e alimento. Na Unidade existe a microbacia do Prata, primeiro manancial a ser utilizado para abastecimento na capital, na década de 1840. De acordo com o Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (CEPAN), ele apresenta uma excelente qualidade da água, mantida majoritariamente pela presença da floresta. Ele faz parte de um sistema complexo de abastecimento da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa). Essa água de excelente qualidade é direcionada para os bairros de Nova Descoberta, Brejo de Beberibe, Córrego do Jenipapo, Guabiraba e Alto do Mandu.
Na regulação e no suporte os benefícios estão relacionados a processos que sustentam a vida humana, como a fotossíntese. Ela é um processo natural, mas acaba por possibilitar o sequestro do carbono, que diminui o efeito estufa, o que causa a purificação do ar e a regulação da temperatura no entorno. Além dela, existe também a polinização pelos insetos, processo que garante a reprodução das plantas no ecossistema e a sua frutificação.
Culturalmente, o Parque serve como lazer e com educação ambiental com as trilhas que vão por dentro do território da Mata Atlântica. Além disso, existem exposições como “Floresta Irmã” e o “Os Sentidos da Natureza”, que traz mais de 100 exemplares de flores, frutos e sementes coletadas da floresta e que são reunidos no museu da instituição, com o objetivo de conectar a comunidade com a floresta.
E é por isso que conservar toda essa área de Mata Atlântica é tão importante. Além da biodiversidade, existem vários serviços imprescindíveis para a sobrevivência humana e que são prestados pela existência do Parque.
