Foto: Tarciso Augusto/GCOM Semas-PE

O Brasil possui mais de 800 mil desses profissionais, que são responsáveis pela triagem e separação adequadas dos resíduos recolhidos no meio urbano

No Brasil e no mundo, o papel dos catadores de materiais recicláveis recebe cada vez mais destaque em um contexto em que o debate sobre a destinação correta dos resíduos ganha força. Necessários especialmente em um processo chamado de ‘triagem’, esses profissionais atuam na linha de frente da separação dos resíduos que são direcionados para os centros de reciclagem, onde são adequadamente reaproveitados.

De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), o Brasil conta com cerca de 800 mil catadores registrados, sendo 27 mil ligados a associações e cooperativas. Esses profissionais, mesmo exercendo atividades quase invisíveis aos olhos da sociedade e na maioria das vezes subvalorizadas, são responsáveis pela marca de 97% dos resíduos sólidos de alumínio reciclados no país. 

A taxa é uma das maiores do mundo e indica, em números absolutos, um total de 33 bilhões de latas reaproveitadas nos últimos anos. Apesar disso, outros dados também do PNUMA apontam para uma taxa geral de reciclagem, considerando todos os materiais aptos ao reaproveitamento, como papel, vidro, plástico e metal, de apenas 3%, explicitando uma urgência histórica na reciclagem dos resíduos advindos principalmente dos centros urbanos.

O processo de ‘triagem’, citado anteriormente e realizado por esses profissionais, tem um papel central. Consiste em uma etapa inicial na qual os resíduos recolhidos são encaminhados e separados manualmente pelos catadores. Esse trabalho é imprescindível para identificar os resíduos que devem ser descartados ou direcionados para os locais de reciclagem, já que, mesmo com um sistema de coleta seletiva, eles podem se misturar com outros tipos de resíduos, como os orgânicos, ou podem apresentar características que, caso passem, comprometem significativamente a qualidade do material reaproveitado.

Catadores e a Economia Circular

Os catadores de resíduos também desempenham um papel fundamental para a consolidação da chamada ‘Economia Circular’, que começa a ganhar voltagem no âmbito socioambiental e econômico. Esse conceito considera que todos os países, especialmente aqueles responsáveis pela geração exagerada de resíduos, devem reorganizar todo o ciclo produtivo dos produtos, desde a extração dos recursos naturais até o descarte final.

A Economia Circular funciona como um contraponto à economia amplamente utilizada desde o fim da revolução industrial, ocorrida na primeira metade do século XIX, que não considera os impactos ambientais e sociais da fabricação em larga escala dos produtos, apenas se preocupando com os lucros advindos da comercialização deles. Com o novo conceito, os responsáveis pela geração desses produtos devem moldar novas formas de descartá-los, sempre considerando a reinserção deles na cadeia produtiva. Com esse reaproveitamento, o direcionamento dos resíduos a locais inadequados, como lixões e aterros sanitários, é reduzido, ajudando a diminuir, a médio e longo prazo, a poluição do ar, dos lençóis freáticos e dos ecossistemas próximos a esses locais de descarte descontrolado.

Monaliza Andrade, gerente-geral de Resíduos Sólidos da Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e de Fernando de Noronha de Pernambuco (Semas-PE), destaca o papel dos mais de 800 mil catadores profissionais do país na tentativa de alcançar as metas estabelecidas pela política da Economia Circular e ressaltou o papel das cooperativas e associações na organização do trabalho desses profissionais.

“Para que a gente alcance a totalidade no conceito de Economia Circular, os catadores são peças fundamentais para poder fechar esse elo. Uma vez o município implantando um plano de coleta seletiva, os catadores vão receber esse material e fazer a segregação. A cooperativa que trabalha com a reciclagem e com a segregação deve destinar os resíduos aos catadores, que vão realizar essa separação, que é a segregação, dos tipos de materiais. Então a gente considera que da coleta seletiva esse material já vem separado por categorias, como plástico e papel, e na cooperativa eles (catadores) vão separar os tipos de resíduos de cada um”, pontuou.