Data procura destacar o papel fundamental dos povos indígenas na preservação dos ecossistemas e na transmissão do legado cultural e histórico
Neste dia 19 de abril, o país comemora o Dia dos Povos Indígenas. A data foi criada para celebrar e dar destaque à cultura e à importância desses povos para a história e a preservação do meio ambiente, além de discutir medidas de valorização e proteção do legado cultural da população indígena de todo o Brasil. Somando-se à celebração da data, a equipe de Educação Ambiental da Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e de Fernando de Noronha de Pernambuco (Semas-PE) vai tematizar os povos indígenas no Momento Educação Ambiental desta semana. A postagem vai ao ar nesta sexta-feira (19), nas redes sociais da Secretaria.
Instituído, primeiramente, em 1943 como “Dia do Índio”, a data passou por uma reformulação em 2022, quando passou a se chamar “Dia dos Povos Indígenas” após a promulgação da lei 14.402. Esse dia foi escolhido devido à realização do Primeiro Congresso Indigenista Interamericano, que aconteceu no México no dia 19 de abril de 1940. Reunindo a maioria das nações do continente americano, o congresso estabeleceu metas que todos os países presentes deveriam cumprir para garantir proteção, zelo e valorização das suas respectivas comunidades indígenas.
No Brasil, segundo os dados de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Pernambuco tem a quarta maior população indígena do país, atrás apenas dos estados do Amazonas, Bahia e Mato Grosso do Sul. O estado conta com 106 mil indígenas, que contemplam cerca de 1,20% da população total pernambucana, espalhados nas 10 etnias em todo o território estadual. Ainda segundo o IBGE, elas se distribuem do Agreste ao Sertão, abrangendo grande parte do território de Pernambuco.
Os povos indígenas pernambucanos são Kapinawá, Kambiwá, Tuxá, Atikum-Umã, Pankará, Fulni-ô, Pankararu, Pipipã, Truká e Xukuru, situados nos municípios de Carnaubeira da Penha, Salgueiro, Ibimirim, Inajá, Mirandiba, Belém do São Francisco, Águas Belas, Itaíba, Floresta, Buíque, Tupanatinga, Tacaratu, Petrolândia, Jatobá, Cabrobó, Poção, Pesqueira e Pedra.
De acordo com esses dados de 2022, Pesqueira concentra a maior população indígena em Pernambuco em números absolutos, ou seja, em quantidade. São cerca de 22 mil indígenas, em sua maioria da etnia Xukuru, residentes no município. Já em termos proporcionais, relacionados à quantidade percentual da população, o município de Carnaubeira da Penha, com grande predominância do povo Pankará, conta com mais de 85% dos seus habitantes pertencendo a esse povo tradicional, posicionando-se na oitava posição no ranking dos municípios brasileiros com maiores populações indígenas relativas.
“Nesta semana, estamos trabalhando a temática dos povos indígenas em alusão à data em que se celebra e se chama a atenção para a preservação das culturas, o entendimento das necessidades, o respeito pelos povos originários e os esforços necessários para reparar os danos históricos sofridos por eles”, explica a analista ambiental Anielise Campêlo, integrante da equipe de Educação Ambiental.
“Estamos em meio às atividades relacionadas também ao Dia da Terra, que também conversam diretamente sobre os povos indígenas, que vivem de forma tão harmônica com o grande ser vivo que é a Terra, respeitando todos os seus limites, se conectando e interpretando a linguagem da natureza e transmitindo essa cultura por gerações e mais gerações, que acabam por viver enraizadas por princípios de conservação dos recursos. Temos muito o que aprender com os povos indígenas, e começar por saber quais são os povos do território pernambucano, suas culturas singulares e, ainda assim, tão convergentes é um bom caminho”, enfatizou.
Semas e os povos indígenas
A Semas, como uma importante elaboradora e impulsionadora de políticas públicas voltadas aos povos indígenas, está desenvolvendo um importante projeto socioambiental que protagoniza as comunidades tradicionais. O ‘PSA Caatinga: Biodiversidade e Tradição’ é uma iniciativa que busca colocar em prática o Programa de Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA) com os povos das etnias Fulni-ô, Xukuru e Kapinawá. O PSA é uma importante ferramenta no âmbito socioambiental que busca compensar financeiramente agricultores, indígenas e núcleos familiares por serviços ambientais previamente prestados, que vão desde a gestão ambiental até a recuperação de nascentes e do solo e a preservação dos recursos naturais. Nesse projeto em específico, o foco são os povos tradicionais e quilombolas das regiões onde as três comunidades estão situadas.
Rayana Burgos, Gestora Técnica de Sustentabilidade da Semas-PE, destacou que o projeto gera um impacto positivo significativo na valorização dos povos indígenas e na preservação do meio ambiente e dos recursos naturais por auxiliar essas comunidades financeiramente, também desempenhando um papel fundamental na geração de uma renda extra para essas comunidades.
“Esse projeto visa conservar e recuperar a diversidade de espécies, através do pagamento por serviços ambientais para áreas degradadas e em risco de desmatamento que estão localizadas nas proximidades de territórios de povos indígenas, quilombolas e outras comunidades tradicionais de Pernambuco. Além disso, o projeto busca influenciar na recuperação de áreas baseadas no manejo adequado do solo, recuperar nascentes e oferecer um recurso complementar à renda das famílias para evitar a superexploração dele. Com um adicional na renda familiar, as pessoas perdem o estímulo da degradação e passam a compreender a importância de manter a Caatinga conservada”, pontuou Rayana.
Para aprender ainda mais e conferir mais dados acerca dos povos indígenas do Brasil, acesse um folder, confeccionado pelo IBGE, que contém informações detalhadas sobre a demografia, nível de escolarização, distribuição, língua falada e a cultura desses povos. Acesse-o em https://acesse.one/goMyy.
Além do folder, o Atlas do Pernambuco Indígena (https://l1nq.com/Bjob9) também é um bom material para o aprimoramento do conhecimento.
