Completamente distintos, os dois formatos consideram destinações diferentes para resíduos gerados no pré e pós-consumo dos produtos
O termo ‘economia circular’ vem ganhando espaço dentro do mundo corporativo e entre as autoridades socioambientais já há alguns anos, especialmente durante a pandemia da Covid-19. O conceito de economia circular diz respeito à necessidade de uma reorganização no fluxo dos resíduos sólidos gerados pelos seres humanos. Esse planejamento se torna ainda mais urgente ao considerar o cenário de descarte inadequado de resíduos cada vez maior, principalmente nas grandes cidades.
Nesse formato de economia, todas as partes envolvidas na comercialização e consumo de um produto, desde a fabricação até o descarte, devem ter responsabilidades na destinação correta dos resíduos gerados.
“A economia circular, em uma visão macro, exige que enxerguemos a saída do produto e o retorno do que sobra dele pós-consumo para o ciclo produtivo. Ou seja, o retorno para o mesmo ciclo ou outros ciclos produtivos”, explica Monaliza Andrade, gerente técnica de resíduos sólidos da Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e de Fernando de Noronha de Pernambuco (Semas-PE).
Segundo ela, a economia circular dialoga diretamente com a chamada ‘logística reversa’, que consiste na responsabilidade dupla entre o consumidor e o fabricante na destinação ambientalmente correta do produto após o seu uso.
“A logística reversa vem do resíduo pós-consumo, onde o consumidor assume a responsabilidade pelo descarte. A destinação seria o distribuidor, o comerciante, o fabricante. O consumidor assume a responsabilidade pelo descarte da embalagem do próprio produto após a utilização ou por quebra ou desgaste dele. Ele tem um papel muito importante, que é o que chamamos de responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida do produto”, enfatizou.
Ela ainda explicou que, nesse ciclo, o consumidor é responsável por levar os resíduos até um local adequado, onde o fabricante deve recolhê-los e destiná-los adequadamente, uma vez que o setor industrial deve ter responsabilidade sobre o produto que é colocado no mercado e, claro, sobre os resíduos gerados no processo de fabricação.
Esse tipo de economia vem sendo estabelecida como um contraponto à chamada “economia linear’, amplamente utilizada desde a explosão da industrialização, na segunda metade do século XVIII. Nela, a extração dos recursos, a fabricação das mercadorias e o lucro que trazem têm um peso maior na cadeia produtiva, pouco importando a destinação final dos resíduos gerados durante a cadeia produtiva da mercadoria.
Esse processo tem gerado, durante quase três séculos, grandes impactos ao meio ambiente devido, justamente, ao descarte inadequado desses resíduos, que é feito, em grande parte, em lixões e aterros sem planejamento.
“A economia circular é benéfica para o meio ambiente por reduzir o impacto ambiental causado por esses resíduos que são produzidos desde o início da fabricação do produto até o pós-consumo. Então, se a gente dá uma destinação correta a cada resíduo produzido em cada etapa, desde a fabricação até o consumo, a gente reduz o impacto ambiental que estaria sendo causado se ele fosse descartado de qualquer maneira”, explica Monaliza.
