Oficinas reuniram moradores e atores sociais locais que poderão ser impactados pela criação das seis novas Unidades de Conservação do estado

Em mais uma etapa do projeto que visa criar seis novas Unidades de Conservação (UC’s) no bioma da Caatinga, a Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e de Fernando de Noronha de Pernambuco (Semas-PE) marcou presença nas oficinas participativas promovidas nos dias 20, 21 e 22 de julho, no sertão pernambucano. 

A Secretaria foi representada pelas analistas ambientais Jéssica Menezes, Ana Célia Garcia e Marilourdes Guedes, todas lotadas na Gerência de Biodiversidade e Florestas (GGBF), que participaram ativamente dos encontros que aconteceram em três dos municípios que serão contemplados pela criação.

O objetivo das três ações foi promover uma conversa direta com as comunidades diretamente impactadas pela criação das Unidades de Conservação, inserindo-as no debate e em todas as etapas do projeto e trabalhando a importância dessas ferramentas ambientais para a preservação da Caatinga, bioma que cobre cerca de 85% do território pernambucano. 

No dia 20 de julho, as equipes da Semas-PE, Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (Cepan) e Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) estiveram na Escola Municipal João Henrique da Silva, no distrito de Canaã, no município de Triunfo. O diálogo envolveu a criação de uma área protegida na Serra do Carro Quebrado. O encontro contou com a participação de 60 moradores da região, que puderam entender a relevância da implantação da unidade no município para todo o ecossistema da Caatinga e compreender todas as etapas de estudo e pesquisa necessárias para a criação desses equipamentos.

Já no dia 21, o diálogo foi realizado com cerca de 90 moradores do município de Carnaíba. Na Escola Municipal José de Queiroz, na comunidade do Sítio da Matinha, a população local se mostrou entusiasmada com a criação da unidade na Serra da Matinha, se mostrando interessada na preservação da área selecionada e tirando dúvidas com as equipes.

Por fim, no dia 22, foi a vez da Escola de Referência em Ensino Médio (EREM) Napoleão Araújo, no Distrito de Bom Nome, em São José do Belmonte, receber as equipes. A pauta principal foi a criação da unidade na Serra Comprida. A reunião, na ocasião, contou com 40 pessoas envolvidas.

“Um ponto chave dos encontros foi reforçar a importância da participação dos moradores dos territórios em todas as etapas do projeto. Para isso, foi promovido um diálogo no qual a comunidade pôde expressar suas dúvidas, discutir a relação com as Serras, o histórico de mudança de uso do solo e compartilhar suas opiniões sobre a criação das áreas protegidas”, destaca Jéssica.

Ela também ressaltou o interesse da população em cada um dos locais visitados em compreender a importância da instauração dessas áreas protegidas para auxiliar na conservação do bioma.

“O que mais chamou a atenção foi ver a união da população em torno de um propósito e do entendimento da necessidade de conservação. Nós nos encontramos com pessoas comprometidas que possuem um estágio de consciência ecológica muito amplo. Esses momentos dão sentido ao nosso trabalho institucional”, explica.

A etapa de diálogo com os moradores locais segue para uma segunda parte no início de agosto, quando as outras três regiões que receberão as UC’s serão visitadas pelas equipes.

Projeto “Criando Unidades de Conservação no Semiárido”

O projeto “Criando Unidades de Conservação no Semiárido” tem o objetivo de criar seis novas Unidades de Conservação espalhadas pelo Semiárido, totalmente coberto pelo bioma da Caatinga. As seis áreas selecionadas e propostas são a Serra da Siriema, em Santa Cruz e Parnamirim, Carro Quebrado, em Triunfo, Serra Comprida, em São José do Belmonte, Serra dos Almirantes, em Orocó e Parnamirim, e Serra da Matinha, em Carnaíba.

O projeto é financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) no âmbito do Projeto Estratégias de Conservação, Restauração e Manejo para a biodiversidade da Caatinga, Pampa e Pantanal (GEF Terrestre), que é coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e tem o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) como agência implementadora e o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO). Selecionado através da Chamada de Projetos 03/2023 do FUNBIO/GEF Terrestre, o projeto será executado pelo Cepan, em parceria com a Semas-PE e CPRH.