Reunião foi marcada pelas propostas de reforço ao monitoramento dos tubarões e pelo aniversário de 20 anos do Cemit, que atingiu a marca no dia 17 de maio
O Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit) realizou a sua segunda reunião ordinária em 2024. Os membros se reuniram, na manhã desta quarta-feira (29), no auditório do Parque Estadual de Dois Irmãos (PEDI), no Recife, para discutirem os resultados de pesquisas, laudos técnicos e estudos à prevenção e mitigação de incidentes com tubarões em Pernambuco. Além disso, comemoraram o aniversário de 20 do Comitê, que foi instituído por decreto em 2004.
O secretário executivo de Meio Ambiente da Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e de Fernando de Noronha de Pernambuco (Semas-PE), Walber Santana, e a secretária executiva do Cemit, Danise Alves, abriram a reunião.
Walber ressaltou o papel fundamental desempenhado pelo Cemit nessas duas décadas de atuação, destacando os estudos realizados, as ferramentas lançadas e o diálogo de extrema importância com as variadas instituições inseridas no monitoramento de incidentes com tubarões. Ele ainda destacou a publicação do novo regimento interno do Cemit, que foi aprovado pelos membros na última reunião. O novo regimento já está, como bem explicou Walber, em vigor.
Danise apresentou a pauta da reunião e as demandas firmadas na I Reunião Ordinária, realizada em março, como o planejamento do II Seminário de Monitoramento de Incidentes com Tubarões, que será realizado em novembro deste ano. Ela finalizou mostrando o andamento das discussões acerca do projeto ‘Praia sem Barreiras’, desenvolvido em parceria com a Empresa de Turismo de Pernambuco (Empetur), que auxilia pessoas com deficiência e restrições de locomoção a terem um banho de mar assistido e seguro. Dentre as ações, membros do Cemit realizaram, em abril, uma visita técnica na praia de Candeias, em Jaboatão dos Guararapes, e propuseram um Protocolo de Conduta, que está em fase de elaboração.
A série de apresentações foi aberta por Vinícius Novaes, estudante de Pós-Graduação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Ele apresentou uma proposta de reforço ao monitoramento de tubarões com a utilização de um veículo aéreo não tripulado (drone) preparados para identificar tubarões nos locais de atenção da costa de Pernambuco. Vinícius mostrou os pilares e diretrizes do projeto, enfatizando que ainda está em processo de estudo e precisa passar por novas fases de desenvolvimento.
Logo em seguida, Glauber Santos, do Instituto de Tecnologia de Pernambuco (ITEP), abordou um modelo de um sistema de informações geoambientais que pode auxiliar a atuação do Cemit. Ele apresentou um sistema, ainda em desenvolvimento, que compila as informações geográficas dos incidentes em uma base de dados. Segundo Glauber, o sistema apresentado é fundamental para o comitê por reunir os principais dados, como marés, correntes de retorno e número de incidentes, em um único local, facilitando o acesso a eles.
Mauro Catunda, médico legista do Instituto de Medicina Legal (IML), apresentou o laudo médico de uma vítima de afogamento no último mês de abril. Catunda comprovou, depois de uma série de análises da equipe do instituto, que a causa da morte da vítima foi, de fato, por afogamento, excluindo a possibilidade antes considerada de que a causa da morte seria um incidente com tubarão.
Alexandre Novelino, da Vectas, empresa especializada em tecnologia, mostrou, na sequência, uma proposta de barreira artificial para evitar a aproximação de tubarões da costa. O objetivo é instalar uma espécie de ‘boia’ que funciona como repelente para os tubarões. Esse equipamento emite ondas magnéticas que ajudam a repelir os animais, que não conseguem ultrapassar o limite estabelecido.
Na sequência, Mariana Rêgo, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e integrante do projeto Ecotuba, apresentou os resultados do projeto ‘Monitoramento dos tubarões em Fernando de Noronha’. Ela explicou que a metodologia de ‘chipagem’ dos animais gerou dados de deslocamento e comportamento dos tubarões monitorados na costa da ilha, possibilitando futuras proposições de políticas públicas voltadas à proteção das espécies e prevenção de incidentes.
A reunião foi finalizada com a apresentação dos resultados da campanha estadual de sensibilização da sociedade para um banho de mar seguro, uma parceria entre a Semas e a Secretaria de Comunicação de Pernambuco (Secom-PE). Thiago Marinho, gerente geral de Comunicação Digital da Secom-PE, abordou as ferramentas de comunicação utilizadas, como sensibilização nas praias, distribuição de material educativo, entre outros. No entanto, destacou o uso de influenciadores digitais como a forma mais promissora de alcançar o público, por meio do personagem Tubaratinado.
Ele apresentou vídeos que foram visualizados, compartilhados e curtidos em grande quantidade, aumentando o engajamento do público, especialmente dos mais jovens, principal objetivo da campanha, visto que adolescentes consistiam no perfil das últimas vítimas de incidentes, registradas em 2023.
Danise, no seu balanço geral dos principais pontos discutidos, frisou os estudos e resulados obtidos que auxiliam nas atividades do Cemit, além de celebrar os 20 anos de instituição do comitê e o período de mais de um ano e dois meses sem o registro de incidentes com tubarões no estado.
“Essa foi a segunda reunião ordinária do ano. Nós focamos principalmente nas pesquisas relacionadas à biologia dos tubarões, como o estudo com drones e o sistema de monitoramento georreferenciado, além do esclarecimento sobre o laudo de vítimas de afogamentos sem relação com incidentes com tubarões”, destacou.
“Em 17 de maio deste mês, o Cemit completou 20 anos de instituição. Nós finalizamos a reunião com essa confraternização dos novos tempos. Também estamos festejando a marca de um ano e dois meses sem incidentes, que é uma grande conquista. A nossa campanha estadual de Educação Ambiental reverbera muito nesse resultado, produto do ‘Plano de Educação Ambiental para a Segurança Aquática e Prevenção de Incidentes com Tubarões’, lançado em 2023. A gente acredita que os incidentes não estão acontecendo porque as pessoas estão cada dia mais sensibilizadas com relação ao tema e respeitando mais as nossas medidas preventivas, de ampla divulgação no estado pela mídia e por grupos de Educação Ambiental”, finalizou.
