Os peixes anuais da família Rivulidae, popularmente conhecidos como os peixes que caem do céu, se desenvolvem em épocas de chuva
O Momento Educação Ambiental desta semana vai abordar a vida dos ‘peixes das nuvens’, presentes no imaginário popular por serem conhecidos como peixes que caem do céu em períodos chuvosos. A Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e de Fernando de Noronha de Pernambuco (Semas-PE) vai realizar uma postagem nesta quinta-feira (4) nas redes sociais, onde vai abordar as principais características dessa espécie, como período reprodutivo, alimentação e importância para o meio ambiente.
Da família Rivulidae, os ‘peixes das nuvens’ são animais pequenos e coloridos que costumam não atingir cinco centímetros. Possuem um ciclo de vida extremamente curto, durando, em média, apenas quatro meses. Esses animais habitam e se desenvolvem em poças d’água, lagos intermitentes, brejos e áreas úmidas do solo. Em períodos de chuva, os ovos eclodem e, com uma alimentação baseada em pequenos invertebrados, como larvas, se desenvolvem e atingem a fase adulta em poucas semanas. Essas regiões úmidas são perfeitas para o desenvolvimento dessa espécie, especialmente após longas chuvas, o que faz parecer que esses pequenos peixes ‘caem’ do céu durante as precipitações.

Foto: Telton Ramos
Durante o período de reprodução, os ovos desses peixes são depositados no solo. Com a chegada da época de pouca chuva e estiagem, grande parte desses peixes é predada por aves ou pelos animais terrestres da região ou acaba morrendo naturalmente, enquanto os ovos entram no período conhecido como ‘diapausa’, que trava o metabolismo à espera do próximo ciclo de chuvas.
Os ‘peixes das nuvens’ são de maioria endêmica do bioma da Caatinga. São documentadas cerca de 61 espécies, que vivem, em sua maioria, em poças e lagos sazonais. Eles desempenham um papel fundamental na natureza por causa da extrema facilidade em se adaptarem biologicamente à sazonalidade do bioma em que vivem. Por apresentarem uma coloração exuberante que se destaca entre outros peixes, são utilizados como peças ornamentais, sendo importantes também para a movimentação econômica.
Os Rivulidae, porém, são sensíveis à qualquer alteração ambiental no local e na região e, portanto, atravessam um período de ameaça. Com degradação do solo, intensificada pelas atividades antrópicas relacionadas à mineração, agropecuária, instalação de barragens, aterros e expansão urbana, além das mudanças climáticas, esses pequenos peixes sofrem com a perda gradativa do habitat. Devido a isso, são considerados a família de peixes mais ameaçada de extinção do país.
“O Momento Educação Ambiental de hoje traz um dado científico curioso que alimenta uma crença popular e que chama a atenção para uma família de peixes que possui muitas espécies ameaçadas de extinção, que ocorrem na Caatinga e que, além de compor a rica biodiversidade do bioma, demonstram a resiliência adaptativa das espécies”, explica a Analista ambiental e integrante da equipe de Educação Ambiental da Semas-PE, Anielise Campêlo.
“Além de terem um comportamento único entre vertebrados, esses animais têm uma importância no controle das arboviroses, já que eles eclodem no período em que começamos a ter uma alta no número de casos dessas doenças e eles se alimentam de larvas de invertebrados”, encerra.
