Foto: Tarciso Augusto/GCom Semas-PE

Comitê analisou as características ambientais da praia para a realização da prática do banho de mar assistido a pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida

O Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit) realizou, na manhã da última quinta-feira (21), uma reunião para avaliar a implementação de uma nova etapa do Projeto Praia sem Barreiras, na Praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes. O encontro contou com representantes da Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e de Fernando de Noronha de Pernambuco (Semas-PE), prefeitura de Jaboatão, Grupamento de Bombeiros Marítimos (GBMar), membros científicos do Cemit da Universidade de Pernambuco (UPE) e Federal de Pernambuco (UFPE) e Empresa de Turismo de Pernambuco (Empetur).

A pauta principal da reunião girou em torno de uma avaliação conjunta para a expansão do Projeto Praia Sem Barreiras, que busca oferecer um banho de mar seguro a pessoas com deficiência ou dificuldades de locomoção. Os membros do projeto querem retomar a atuação nas praias de Jaboatão, interrompida após incidentes com tubarões ocorridos especialmente na altura da Praia de Piedade, distante cerca de 3 km da praia de Candeias.

A prefeitura do município iniciou a reunião externando um projeto da gestão para a reestruturação da praia. Essa reforma visa uma melhor recepção tanto aos instrutores quanto aos banhistas contemplados pelo projeto e prevê a construção de um pier e de um polo de atividades esportivas. Segundo a prefeitura, o objetivo seria oferecer, além do banho, a realização de outras atividades recreativas com os banhistas.

Em seguida, o Coronel Ramos, do GBMar, destacou que o Corpo de Bombeiros apoia totalmente a iniciativa do projeto, mas destacou que um estudo amplo e aprofundado precisa ser apresentado com o intuito de evitar incidentes e garantir a segurança de todos os envolvidos, inclusive dos agentes.

“O GBMar apoia completamente esse projeto, essa iniciativa. Mas é imprescindível, dentro desse contexto da segurança aquática e das atividades desenvolvidas dentro d’água, uma conversa mais profunda”, enfatizou o Coronel.

Os membros participantes seguiram até a beira da praia para analisar mais cautelosamente a formação geomorfológica da faixa litorânea. Eles visualizaram a presença de um espigão perpendicular à faixa de praia, na altura da Rua Jornalista Hercílio Celso, inserido para conter a erosão costeira, que pode ajudar a viabilizar a execução do projeto na praia.

Depois de uma breve discussão, foi sugerido que essa estrutura artificial poderia ser utilizada como parte de uma “barreira” artificial, complementada por uma rede temporariamente inserida para uso exclusivo da atividade, garantindo assim a segurança dos usuários do projeto. A dimensão da área seria mínima, comportando as cadeiras-anfíbias, equipamentos adaptados para as banhistas contemplados pelo projeto, e os monitores da atividade.

“Este é o terceiro encontro do Cemit com os proponentes do Projeto Praia Sem Barreiras, e a visita in loco foi essencial para entender as questões logísticas e as condições ambientais da área proposta. A partir da reunião, com a análise de todos os participantes, discutimos a necessidade de criação de um protocolo de conduta mais amplo a nível de Política de Estado. Com uma regulamentação mais clara, a premissa da prevenção de incidentes com tubarões é acolhida, possibilitando uma maior segurança para os usuários”, explica Danise Alves, secretária executiva do Cemit.

“A praia é um ambiente democrático. Todo e qualquer cidadão tem direito ao banho de mar, e esse projeto garante esse direito. No entanto, os incidentes com tubarões nessa região é uma realidade, e devemos respeitar os habitats dos animais. Por isso, nosso objetivo é fazer com que esse direito seja executado sem que a vida desse indivíduo esteja em risco”, finaliza.