Ao todo, edital 01 do Fundo Estadual de Meio Ambiente apoia três projetos que restauram nascentes e asseguram renda para núcleos da agricultura familiar
Regenerar áreas degradadas através da recuperação de nascentes de rios é uma ferramenta que traz um impacto significativo para o meio ambiente e para os habitantes da região beneficiada. A Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e de Fernando de Noronha (Semas-PE), com o objetivo de intensificar os processos de recuperação dessas regiões, apoia e monitora três projetos contemplados pelo edital 01 do Fundo Estadual de Meio Ambiente (Fema), publicado em 2021. O edital abrange três grandes projetos de restauração de nascentes na Zona da Mata, Agreste e no Sertão do estado, que mesclam, além da recuperação das nascentes, construção de viveiros, fortalecimento das redes de mulheres produtoras e agroecologia.
Projeto Nascentes do Rio Goitá
O primeiro desses projetos, executado nos municípios de Glória do Goitá, Pombos, Lagoa de Itaenga e Feira Nova, na Zona Mata pernambucana, é realizado em parceria com o Serviço de Tecnologia Alternativa (Serta), sediado em Glória de Goitá. A iniciativa ‘Nascentes do Goitá’ está recuperando 10 nascentes do Rio Goitá, situadas em propriedades rurais que sobrevivem da agricultura familiar. Essa restauração é feita com o plantio de mudas de variadas espécies nativas da região, que são cultivadas em viveiros, também previstos e apoiados pelo projeto, instalados próximos às nascentes.
Além do impacto ambiental positivo, causado pela recuperação do nascedouro de um importante corpo hídrico que abastece esses municípios, os benefícios para a economia das famílias locais também podem ser observados. Com a restauração, elas podem utilizar a água, agora limpa, para as atividades cotidianas domésticas e da agricultura, o que impulsiona a renda familiar.
Projeto Águas da Serra
Outro projeto, desta vez desenvolvido no Agreste, está sendo executado em parceria com o Centro de Desenvolvimento Agroecológico Sabiá, conhecido como Centro Sabiá. Realizada no município de Jataúba, a iniciativa implantou Sistemas Agroflorestais (Saf’s) que auxiliam na recuperação das nascentes do Rio Capibaribe, um dos principais corpos fluviais do estado. Para a implantação de agroflorestas, o projeto capacitou 12 famílias agricultoras, quatro jovens guardiões e 30 jovens do ensino fundamental com o intuito de sensibilizá-los sobre a importância da preservação das Áreas de Proteção Permanente (APP).
Projeto Mulheres Restaurando o Bioma Caatinga
Em parceria com a Rede de Mulheres Produtoras do Pajeú, a Semas apoiou o projeto ‘Mulheres Restaurando o Bioma Caatinga’, que abrange os municípios de Itapetim, Iguaracy, Carnaíba, São José do Egito e Afogados da Ingazeira e beneficiou 10 grupos de mulheres diretamente e seus familiares indiretamente, totalizando cerca de 680 beneficiados.
O projeto previu a recuperação de nascentes e matas ciliares de rios e riachos intermitentes (temporários) para ajudar na implantação de sistemas agroflorestais, que são um reforço para tentar conter a erosão e aumentar a resiliência do solo.
“Compreendemos que recuperar nascentes envolve toda uma questão ambiental, social e econômica, porque, além da água para o consumo humano, também há o favorecimento da irrigação em áreas de cultivo agrícola. A água aumenta aumenta a segurança alimentar e hídrica da comunidade. A recuperação de uma nascente de um rio beneficia toda uma região”, destaca Febe de Oliveira, técnica da Semas e engenheira agrônoma especialista em clima semiárido com ênfase em Agroecologia.
