Encontro foi conduzido pela vice-presidente da Associação Brasileira de Ouvidores, Karla Júlia Marcelino
“Assédio nas organizações” foi a temática de mais uma palestra promovida pela Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e de Fernando de Noronha de Pernambuco (Semas-PE). A palestra, aberta a todos os funcionários da secretaria e do Parque Estadual de Dois Irmãos (PEDI), foi realizada na manhã desta terça-feira (5), no auditório do parque.
Karla Júlia Marcelino, palestrante, escritora e vice-presidente da Associação Brasileira de Ouvidores (ABO), conduziu a apresentação da temática. Ela começou trazendo alguns conceitos que podem gerar formas de violência e assédios no ambiente de trabalho, como autoritarismo por parte de algum colega de trabalho, comportamento passivo-agressivo, xingamentos ou intolerância. Karla destacou que esses comportamentos e atitudes abrem espaço para a degradação do ambiente de trabalho e para o fortalecimento do assédio.
Em seguida, trouxe o conceito de assédio moral, eixo destacado na palestra de hoje. Ela frisou, mais de uma vez, que o assédio se caracteriza por um conjunto de ações e práticas que trazem desconforto, insegurança, degradação ou desconforto a qualquer funcionário de uma instituição, seja ela pública ou privada. Além disso, mostrou as subdivisões do assédio moral, que se estratificam em horizontal, vertical e passivo, cada um se relacionado às hierarquias da parte assediada e assediadora e aos danos físicos e psicossociais gerados pela importunação.
O próximo destaque da palestra foi o assédio sexual, um dos tipos de importunação mais comuns nos ambientes de trabalho, que se caracteriza pelo uso, isolado ou repetido, de falas com conotações sexuais, disparadas contra a vítima na tentativa de obter favores sexuais. Ela enfatizou que esse tipo de assédio tem um maior impacto não somente pelos graves prejuízos à integridade física da vítima, mas por ser um dos poucos tipos de assédio tipificados na legislação. O assédio moral, na contramão, ainda não está presente nas leis.
Na sequência, Karla mostrou exemplos de assédios comuns e corriqueiros, mas que podem passar despercebidos pelos assediados. Em contrapartida, também trouxe exemplos que não podem ser enquadrados como assédio, mesmo gerando dúvidas.
Na fase final da apresentação, a palestrante iniciou um período de perguntas e respostas com os participantes. Boa parte das perguntas se centraram nas dúvidas acerca da melhor forma de denunciar casos de assédio e de como provar que houve a importunação, já que uma denúncia não fundamentada pode gerar um processo por danos morais contra o denunciante.
“Esses encontros são fundamentais por promoverem a disseminação de conceitos que são fundamentais sobre o que pode ou não ser assédio moral, além de falarmos sobre a legislação e as consequências psicológicas da prática do assédio tanto moral quanto sexual. Com essa disseminação das informações, nós estamos colaborando para o trabalho de prevenção do combate a essas situações”, explicou Karla.
