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Fenômeno é causado pela proliferação das microalgas no mar, que liberam toxinas e contaminam a água e o ar durante o metabolismo

Um fenômeno natural em algumas praias do litoral sul de Pernambuco, especialmente nos municípios de Tamandaré e Ipojuca, chamou a atenção das autoridades ambientais e sanitárias. Denominada “Maré Vermelha” ou “Tingui”, o fenômeno é caracterizado pela proliferação (também conhecida como ‘Bloom’) de algas dinoflageladas, ou microalgas, que se espalham pelo plâncton dos oceanos. Essas algas, durante o processo de metabolismo, liberam toxinas capazes de contaminar a água e o ar.

O aumento na população dessas microalgas é causado pela concentração de nutrientes e matéria orgânica no mar. Também contribui a liberação de esgoto doméstico nas praias, fazendo com que o tempo de permanência da maré vermelha na região dure entre 12h e 48h.

O biólogo Múcio Banja, do Conselho Regional de Biologia (CRBio), explica que a Maré Vermelha é um evento natural ocasionado pelas microalgas, comum e que acontece com periodicidade, de extrema importância para a manutenção do equilíbrio dos mares e oceanos.

“Essas microalgas, embora causem a Maré Vermelha, têm um papel importante no equilíbrio dos oceanos. A questão é que elas formam grandes populações e muitas vezes algumas espécies formam manchas escuras, de cor avermelhada, o que de alguma forma originou o nome. Em algumas regiões do planeta, pela geomorfologia, é mais fácil prever. Aqui foi um fenômeno isolado, após um conjunto de combinações, como vento, correntes marinhas e nutrientes em excesso”, explica o biólogo.

Mesmo sendo um fenômeno natural, a liberação dessas toxinas traz prejuízos à saúde de banhistas, surfistas e moradores que residem em áreas próximas às praias, podendo provocar casos de intoxicação. Após o contato direto ou indireto com a água do mar ou a maresia, os sintomas podem envolver dores fortes de cabeça, náuseas, dores no corpo, irritação nos olhos, na garganta e na pele e outras queixas de saúde. A ingestão de frutos do mar, como peixes e moluscos, que também são contaminados pela Maré Vermelha, podem provocar intoxicações. 

“Todas as células quando fazem o metabolismo liberam excrementos. Para as microalgas, quando elas recebem nutrientes a mais e geralmente estão em temperaturas altas e em baías confinadas, elas se multiplicam e formam uma população de bilhões de organismos. Durante a fotossíntese, são liberados elementos tóxicos que contaminam animais marinhos, moluscos e quem entra em contato com a água. Às vezes são tão fortes que se desprendem da água e vêm para o ar, que fica contaminado. Os sintomas, para quem foi intoxicado, duram uns dois dias”, afirma o biólogo Everthon Xavier, também da CRBio. 

Para reduzir as chances de intoxicação por Maré Vermelha, o recomendável é que ao frequentar alguma praia as pessoas se atentem a situações atípicas. Se houver forte odor, que se assemelha a vinagre, ou manchas no mar, evitar se aproximar da areia e da água.