Lideranças indígenas da etnia Tuxá e Xucuru do Ororubá de Pernambuco participaram do encontro on-line

Nesta segunda, 19 de abril, data que marca a luta dos povos indígenas, a Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco (Semas/PE) realizou um debate sobre a contribuição deles para a conservação da biodiversidade. Transmitido ao vivo pelas redes sociais, o encontro contou com a participação do secretário de Meio Ambiente, José Bertotti; a secretaria executiva da pasta, Inamara Mélo; a liderança dos Xucuru do Orubá de Pesqueira, Iran Xucuru; vice-cacique do povo Tuxá, Samaratá Tuxa; além do coordenador do Núcleo de Comunidades Tradicionais da Semas, Wellington Lima.

Na abertura do evento, José Bertotti destacou a perspectiva história em que os povos indígenas vêm sendo tratados com exclusão, sofrimento e desrespeito, principalmente com a sua casa, sua terra e o meio ambiente. “Que nesse dia – que marca a luta dos povos indígenas – escutemos as suas vozes, com um olhar para o futuro, pois se não unirmos força no cuidado com o meio ambiente no presente, esse futuro não chegará”, disse.

A secretária executiva, Inamara Mélo, apresentou uma agenda extensa de atividades que será desenvolvida pela Semas esse ano, como: levantamento sobre as etnias em Pernambuco, ações de Educação e Cidadania Ambiental, programa de Reflorestamento de Pernambuco e um grande seminário sobre as comunidades tradicionais no final do ano. “Precisamos manter esse diálogo com os povos tradicionais. Criar pontes e caminhos para avançarmos juntos por um bem maior: a terra, o cuidado com o meio ambiente e o Brasil”, afirmou.

As lideranças indígenas presentes no encontro trouxeram, em comum, um conhecimento ancestral das etnias, o sagrado e a importância dos encantados (seres espirituais) que têm um papel fundamental na vida dos povos originários. De acordo com eles, essas divindades estão presente no meio ambiente, na terra, nas árvores, nos animais e, principalmente, são elas que os orientam na hora de saber como, quando e onde plantar, colher e comer.

Segundo Iran Xucuru, liderança dos Xucuru do Orubá de Pesqueira, é muito importante em um dia simbólico de luta mostrar à sociedade as resistências e as conquistas dos povos indígenas no Brasil, ocupar os espaços de visibilidade, principalmente apresentar a todos a forma como lidam, cuidam e respeitam o meio ambiente. “Escutar os encantados é vital. Eles são nossos ancestrais, entidades espirituais que sabem exatamente como devemos lidar com o meio ambiente. O grande problema do homem é querer se dissociar da natureza e pensar que é maior que ela. Nós somos a natureza e os encantados nosso guia. O homem é natureza e não podemos achar que somos maiores que ela”, frisou.

A vice-cacique Samaratá Tuxá fechou o evento destacando a importância do Encantado de Luz na vida do povo Tuxá, dos ensinamentos milenar de seus ancestrais na forma como cuidar do meio ambiente, extraído matéria prima sem destruir, respeitando, cuidando e curando a terra onde moram. Questionada por um participante do debate, sobre como é ser vice-cacique mulher, ela disse que sofreu e ainda sofre muito preconceito, mas que não iria desapontar seu povo. “Sou Tuxá, sou vice-cacique e mulher. Sou forte e não vou desistir. A força dos encanados de luz me mantém nessa luta, nesse desafio”, finalizou.