Negócios verdes e energia renovável foram os temas debatidos nesta quinta-feira (09/06), no Café da Manhã Petit Comité, promovido pela Lide Pernambuco. O evento aconteceu no auditório do empresarial JCPM, no Pina, e reuniu empresários e representantes de diversos setores ambientais, econômicos e governamentais de Pernambuco. A secretária estadual de Meio Ambiente, Inamara Mélo, participou do encontro e falou sobre as iniciativas do Governo de Pernambuco para neutralizar as emissões de carbono até 2050 no estado.

 Drayton Nejaim (Lide), Inamara Mélo (Semas), Marco Longhi e Graham Tidey (Reino Unido)

“A nossa participação aqui é para reafirmar que Pernambuco está conectado com as tendências mundiais de desenvolvimento sustentável. A gente está trabalhando para que o Governo de Pernambuco possibilite essa transição. Nós lançamos em março o Plano de Descarbonização de Pernambuco, unindo o que tem de melhor da ciência, que aponta diversas soluções tecnológicas, incluindo, na área de energia renovável, aquilo que envolve a necessidade de transição para que a gente reduza a emissão de gases de efeito estufa. No Plano constam diversas oportunidades para tornar o nosso estado mais desenvolvido com a clareza que o nosso desenvolvimento sustentável não impacta negativamente na economia, ao contrário, quando a gente aposta no futuro no desenvolvimento de descarbonização amplia as perspectivas em relação ao PIB, ao consumo das famílias, à produção da nossa economia. Existe uma projeção extremamente positiva se todos nós aportarmos os nossos recursos, investimentos e esforços para a construção de um futuro de carbono neutro no estado de Pernambuco”, ressaltou Inamara Mélo, convidando a todos os presentes a conheceram detalhadamente o Plano de Descarbonização de Pernambuco.

Inamara Mélo, secretária de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco

Felipe Cruz, executivo de desenvolvimento de negócios internacionais da Energy Systems Catapult, que fez uma apresentação sobre as iniciativas de energias renováveis desenvolvidas pelo Reino Unido. “Gostei muito das palavras da secretária Inamara, porque está muito alinhado com o que tentei trazer aqui. Tomando de exemplo o que a gente tem feito no Reino Unido, de que forma a gente pode, estreitando o relacionamento bilateral entre os países, aproveitar o que está sendo feito lá, trazer para Pernambuco e posicionar a economia pernambucana como protagonista nessa revolução industrial verde? A ideia do governo britânico foi criar uma série de instituições em áreas estratégicas para o seu projeto econômico de estado onde ele quer ser referência global em termos tecnológicos, de cadeia de valor, de empresas que possam exportar produtos e servir mundialmente. Somos centro de excelência em tecnologia e inovação, o nosso principal papel é tentar preencher um vazio que existe no mercado entre poder público, indústria, institutos de pesquisa, desenvolvimento, academia, e tentar ajudar, fazer com que aquilo que está sendo desenvolvido na academia chegue ao mercado para que o poder público tenha as políticas e regulações corretas para que esses arranjos de mercado destravem o investimento privado e consigam tirar prosperidade econômica e uma cadeia de valor pujante localmente”.

Felipe Cruz, da Energy Systems Catapult

Felipe ressaltou que atingir o “net zero” (o compromisso de reduzir as emissões de gases de efeito estufa na atmosfera) exige investimento: “Transição energética é cara, complexa e tem muita incerteza (que é os investidores não querem). Porém existe uma oportunidade socioeconômica gigantesca. O investidor quer segurança jurídica. É preciso criar uma rota nesse sistema que destrave o investimento e o primeiro passo é diminuir as incertezas”. Felipe defende que antes de mais nada é preciso entender as características locais, o que existe de matéria-prima, o que faz sentido para aquela região, descarbonizar a economia a partir de um planejamento local para gerar benefícios socioeconômicos para a região (melhoria de saúde, economia, produtividade, geração de emprego e renda), tornar os projetos “investíveis”, acompanhar quais são os novos modelos de negócio que existem no mundo, entender toda a cadeia de valor e ter uma visão holística integrada. Deu um exemplo da produção de hidrogênio verde e a possibilidade de exportar o produto para outros países quando transformado em amônia e também da produção de hidrogênio azul.

Roberto Gusmão, diretor do Porto de Suape, traçou um paralelo de convergência da estratégia de Suape com a apresentação de Felipe Cruz. “A gente não está atrás de quantidade de projetos, a nossa estratégia é sim exportar o hidrogênio com amônia, mas principalmente aproveitar a potencialidade que tem o Porto de Suape, com suas 224 empresas de indústrias e prestadores de serviço, a ter o próprio complexo industrial de Suape como um grande consumidor e um grande centro de partida para este novo distrito verde que a gente quer criar aqui em Pernambuco”, afirmou.

O evento contou também com a presença de Marco Longhi, membro do parlamento britânico e enviado comercial para o Brasil: “O Brasil que conheci 30 anos atrás sempre foi um Brasil que estava para ter sucesso no mundo, mas nunca teve aquela proposição global, talvez porque sempre teve uma oportunidade no mercado próprio interno. Eu vejo um Brasil que sempre consumiu, mas agora vejo um Brasil que vai consumir mais, porque a atividade econômica vai aumentar. E com essa oportunidade em termos de energia, vai ser um Brasil que consome, que produz e que vende, um Brasil com muitos benefícios socioeconômicos. Essa é a hora do Brasil, o Brasil vai liderar o mundo e quero reforçar que o Reino Unido quer ser esse parceiro honesto, autêntico e de longo prazo.

Fotos: Matheus Galdino