Semas reúne contribuições da iniciativa privada para Plano de Combate ao Lixo no Mar

Incentivo econômicos, coleta seletiva em empreendimentos, e ações especiais de limpeza próximas a rios foram algumas das sugestões postas por representantes de diversos setores para evitar que o material chegue à costa pernambucana

A Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas/PE) se reuniu, nesta quinta-feira (29), com mais de 30 representantes da iniciativa privada ligados aos setores de bares, restaurantes, comércio, turismo, entre outros. Na ocasião, foi apresentado o estudo sobre os pontos de maior fluxo gerador de resíduos para a área costeira do estado e também foram coletadas contribuições para evitar o problema. Entre as oportunidades levantadas pelos participantes estão a criação de incentivos econômicos, coleta seletiva em empreendimentos, ações especiais de limpeza próximas a rios, e alinhamento com convenções internacionais.

O encontro integrou a etapa de diagnóstico para a elaboração do Plano de Ação de Combate ao Lixo no Mar de Pernambuco (PACLM-PE), realizado em parceria com o Projeto TerraMar/ Agência Giz (uma cooperação entre os Ministérios do Meio Ambiente da Alemanha e do Brasil). Para o superintendente de Meio Ambiente da Semas/PE, Bertrand Alencar, assim como as reuniões com os gestores públicos e a sociedade civil ocorridas nas semanas anteriores, a agenda com a iniciativa privada enriqueceu o debate e trouxe contribuições importantes para a construção do plano.

“Essa é uma contribuição fundamental para avançarmos na gestão mais adequada dos resíduos sólidos tanto no mar como no continente. Trata-se de um tema que dá margens para muitas iniciativas, a exemplo da possibilidade de proibição de pontos de confinamento em margens de cursos d’água, uso de ecobarreiras, realização de mais pesquisas e a implementação de diversos instrumentos de regulação. São inúmeras ações postas que vão se juntando e formando um conjunto de contribuições ricas”, disse Alencar.

O estudo apresentado abrangeu os 15 municípios litorâneos do estado e concluiu que cerca de 80% do lixo que está no mar tem origem no continente. Foram mapeadas diversas situações que contribuem para a ocorrência de resíduos sólidos no litoral, como acumulação de material nas praias, no leito e nas margens dos cursos d’água; ocupações irregulares; resíduos ligados à atividade pesqueira e mais. “É um problema do continente e é aqui que precisamos ancorar as soluções, melhorando a gestão dos resíduos sólidos e garantindo a sustentabilidade financeira das iniciativas”, pontuou o consultor Thilo Schmidt, que atua por meio da Agência GIZ.

O estudo também evidenciou os tipos de resíduos mais encontrados. O principal inimigo dos oceanos continua sendo o plástico (garrafas, sacos de lixo, etc). Mas, a lista segue: máscaras usadas na prevenção da Covid-19, petrechos de pesca (descartados ou perdidos), cascas de mariscos, embalagens descartáveis de marmita (composta por isopor e/ou outros materiais), sacos de areia para contenção do mar, embalagens de óleo de motor, tinta, solvente e resíduos volumosos (móveis, pneus e entulhos).

Oficinas participativas – Com o encerramento do ciclo de webinários, a Semas/PE e o projeto TerraMar/GIZ vão promover, nos dias 9 e 10 de setembro, uma oficina participativa para estruturação do PACLM, que será consolidado em audiência pública com a participação de toda sociedade. O PACLM, que deve ficar pronto ainda este ano, conterá informações georreferenciadas da origem dos resíduos sólidos, maiores pontos de fluxo, além das propostas de ações integradas para combater o problema.

 

Foto: projeto TerraMar/GIZ