Encontro foi realizado por meio de videoconferência e contou com a participação de representantes de entidades, ONGs, pescadores, catadores e interessados no tema

Os efeitos do lixo marinho são variados e afetam tanto as atividades humanas, quanto à biodiversidade. Para discutir a questão, a Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco (Semas/PE), em parceria com o Projeto TerraMar/Agência Giz, apresentaram, nesta quinta-feira (22), um estudo sobre pontos de maior fluxo gerador de lixo no mar no estado. A atividade aconteceu durante o segundo webinário de Combate ao lixo do mar, transmitido pelas redes sociais. A reunião colheu contribuições de instituições, ONGs, pescadores, catadores e interessados no tema para a elaboração do Plano de Ação de Combate ao Lixo no Mar de Pernambuco (PACLM-PE).

De acordo com o superintendente de Meio Ambiente da Semas, Bertrand Alencar, estima-se que, só em 2010, entraram nos oceanos de 4,8 a 12,7 milhões de toneladas de plástico – um dos principais resíduos identificados no levantamento. “Entendemos que a questão do lixo é global. Aqui no estado, a gente acredita que identificando todos esses fluxos de saída, podemos trabalhar de forma conjunta no sentido de ir eliminado gradativamente o problema. A Semas tem feito esse esforço de trazer o conhecimento possível e necessário para que a gente possa debater com a sociedade a melhor forma de fazer uma ação conjunta”, disse.

O levantamento no estado envolveu 15 municípios litorâneos e foi detalhado para as prefeituras na semana passada. Já nesta quinta, o encontro debateu com a sociedade civil o documento, cujo resultado aponta que 80% do lixo encontrado no mar tem como origem o continente, e cerca de 20 % são provenientes de atividades realizadas no mar, como transporte de cargas, pescas, plataformas marítimas. O principal resíduos encontrado no litoral do estado foi o plástico, mas ainda foram identificados materiais como embalagens de marmita, máscaras de prevenção de Covid, apetrechos de pesca, cascas de mariscos e outros. Ao todo, documentou-se 624 pontos de fluxo de resíduos.

“É importante entender a origem desse lixo para pensar formas de prevenção, tanto em termos de legislação nos três níveis governamentais como observando iniciativas exitosas já realizadas no país e que podem servir como parâmetro para lidar com o problema”, disse o consultor técnico do Projeto TerraMar, Thilo Schmidt, que esteve à frente do estudo ao lado de especialista José Renato Correia.

Como sugestão colhida no evento, destaca-se a necessidade de mecanismos de incentivo ao ecoempreendorismo, assim como novas formas de consumir e inovar em relação à produção de plásticos ou pela transição do setor industrial. Também foram levantadas propostas de formação de agentes para atuar neste setor, mutirões de limpeza associados a ações de educação ambiental, a ampliação da logística da coleta seletiva com catadores avulsos e cooperativas, e incentivos à cultura da separação de resíduos, reciclagem e compostagem.

Iniciativa privada – Na próxima quinta-feira (29/07), será realizado o terceiro e último webinário de combate ao lixo no mar. Dessa vez, o diálogo é com o setor produtivo – o empresariado. E, nos dias 9 e 10 de setembro, ocorrerá uma oficina para a estruturação do PACLM, que será consolidado em audiência pública com a participação de toda sociedade