Encontro revisitou o Zoneamento das Áreas Suscetíveis à Desertificação em PE e apresentou intervenção da Bahia na recuperação de áreas degradadas a partir de tecnologias ambientas

Conhecer, prevenir e recuperar para um futuro sustentável foi o tema do webinário realizado pela Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco Sema/PE), na última quinta-feira (17). A live coordenada pela secretária executiva da Semas, Inamara Mélo, fez alusão ao Dia Mundial de Combate à Desertificação e à Seca e discutiu o fenômeno da desertificação no estado – que tem noventa por cento do território localizado em região semiárida, trazendo ainda uma experiência da Bahia, na recuperação de área degradada. O Zoneamento das Áreas Suscetíveis à Desertificação em Pernambuco, lançado em março pela Semas, foi revisitado na palestra virtual, transmitida pelo canal da Semas no Youtube.

O encontro, coordenado pela secretária executiva da Semas, Inamara Melo, contou com a explanação do gerente de Biodiversidade e Floresta da Semas e Engenheiro Florestal, Sérgio Mendonça; o pesquisador da Embrapa Semiárido, Iêdo Bezerra de Sá, engenheiro florestal pela UFRPE, doutor em Geoprocessamento; a pesquisadora da Fundaj, Edneida Rabêlo Cavalcanti, doutora em Recursos Hídricos pela UFPE e Universidade Nova de Lisboa e o especialista em Ecologia, Maurício Aroucha, coordenador da ONG Agendha. A Agendha atua com políticas de desenvolvimento humano e agroecologia. E, na ocasião, seu coordenador apresentou um projeto de recuperação de área degradada no Rasgo da Catarina, região que apresenta pouco mais de 100 mil hectares e está inserida na da área de proteção ambiental do governo do Estado da Bahia, APA de Serra Branca.

A partir da definição da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), o pesquisador da Semas Sérgio Mendonça destacou que Desertificação é o processo de degradação da terra nas regiões áridas, semiáridas e subúmidas secas, resultante de diferentes fatores, entre eles as variações climáticas e atividades humanas. E o Zoneamento das Áreas Suscetíveis à Desertificação realizado pela secretaria está em consonância com a Política Estadual de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca, instituída pela lei º 14.091/2010, e o Plano de Ação Estadual de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (PAE/PE),

“O objetivo do zoneamento é identificar e avaliar o fenômeno da desertificação em sua porção semiárida como forma de subsidiar políticas públicas de desenvolvimento. E fizemos questão de acrescentar à proposta os aspectos sociais para que catingueiros e catingueiras pudessem participar desta construção, pois praticamente todo o estado está dentro do bioma Caatinga e precisamos ter um olhar diferenciado e enfatizar a importância de se trabalhar todos os municípios que estão inseridos no semiárido”, ressaltou Sérgio Mendonça.

“Como compatibilizar as políticas públicas com estas informações disponíveis por meio do zoneamento? A gente tem um grande desafio que é como dar mais robustez na implementação do programa estadual de combate à desertificação com esta importante ferramenta construída”, destacou a pesquisadora da Fundaj, Edneida Rabêlo, ressaltando que uma das principais causas da desertificação é o desmatamento, mostrada no zoneamento.

De acordo com Liêdo Bezerra, os recursos tanto humanos quanto financeiros são sempre limitados e a partir da realização de estudos e construção de instrumentos de atuação é possível priorizar ações específicas por parte dos gestores. Conforme Liêdo, “o importante é termos as tecnologias para reverter ou eliminar muitos dos problemas. E muitas tecnologias podem ser transformadas em política públicas”, afirmou.

Tecnologias ambientais – “Entre as ações de recuperação de florestas, pelas diversas vias que podemos optar, há algumas que são mais focadas, as que estão relacionadas com segurança alimentar, hídrica e energética, e isto significam poder obter das florestas produtos alimentares, para o artesanato, para o uso e o fornecimento de energia, além de produtos medicinais e para a manutenção dos ciclos hídricos”, ressaltou o coordenador da ONG Agendha, Maurício Aroucha.

Maurício explicou que para a recuperação da área degradada, realizaram o processo de microtransposição de solo enriquecido com pó de rocha e calcário, juntamente com matéria orgânica coletada de da mata da Pororoca, no entorno. Segundo o especialista, esse material é determinante para o desenvolvimento da tecnologia socioambiental berços geoagroecológicos para areiais, os berços de Gogós – pequenas escavações onde são depositadas sementes e mudas, eu um solo extremamente arenoso e pouco fértil.

O coordenador da Agendha salientou ainda que, quando se fala em restauração, recuperação, regeneração de áreas no ambiente de Caatinga é fundamental reconhecer e se relacionar com os povos e comunidades tradicionais que compõem o entorno – que são os seus agroecossistemas familiares e coletivos. Entre estas comunidades estão os quilombolas, os povos indígenas, o povo vaqueiro, extrativistas fundo de pasto, como pastores e lavradores, além de extrativistas artesãos