Na Conferência da Organização das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP27) a secretária Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Inamara Mélo, participou na manhã desta quinta-feira, (10), do debate “Ampliando o financiamento da adaptação climática na América Latina e Caribe”. Depois, integrou o debate entre governos locais e autoridades municipais, promovida pela cidade de São Paulo, para tratar do tema da “Justiça Climática nas Cidades Brasileiras”.

Discutindo o financiamento internacional para o avanço da ação climática em regiões mais vulneráveis, a gestora estadual destacou que Pernambuco tem feito a sua tarefa de casa, a partir de uma política ambiental e climática estruturada. Mas que, ainda necessita de forte investimento. “As nossas políticas ambientais são estruturadas basicamente nos eixos de Conservação, Restauração Florestal e Recuperação de Nascentes, Gerenciamento Costeiro, Combate à Desertificação, Educação Ambiental e Resíduos Sólidos. Mas há um ponto fundamental que entrelaça todas essas políticas, que é a necessidade de medidas voltadas à adaptação climática, e para as quais nós só contamos com recursos próprios, ou apoios pontuais em programas de cooperação internacional, e que passaram com dificuldades pela autorização federal”, explicou.

Inamara fez questão de lançar luz, fazendo uma contundente defesa, sobre um programa importante da Semas, mas que ainda espera por financiamento: o Pernambuco Agroecológico. Um projeto que une adaptação e resiliência por meio do fomento à agricultura familiar em sistemas de base agroecológica e orgânica, restauração florestal, arranjos produtivos locais, incentivo à eficiência energética por fontes renováveis, e gerando empregos verdes e combatendo a insegurança alimentar. Sobre ele, a gestora refletiu acerca das razões para um projeto dessa dimensão ainda não ter sido implementado. “Tenho duas respostas. Primeiro que nos últimos anos houve corte de investimentos federais em ações com viés social. Segundo que investir no semiárido brasileiro, no bioma caatinga, ainda não atraiu os fundos verdes internacionais, que têm suas atenções em geral voltadas unicamente à Amazônia. É justo que a gente cuide do pulmão do mundo, mas o que fazer com regiões que sofrem com a estiagem e o risco de desertificação, intensificados velozmente pelos efeitos climáticos, como é o nosso caso?, ponderou Inamara. 

Durante o evento da tarde, quando esteve ao lado de atores importantes na militância climática brasileira, casos da ex-Ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira, da ativista indígena Txai Suruí, da Embaixadora da Juventude da ONU Amanda Costa, entre outras figuras de destaque, a representante do Governo de Pernambuco no Egito discutiu as necessidades para se alcançar a justiça climática nas cidades brasileiras. Durante a sua fala, Inamara defendeu que a emergência climática só pode ser bem gerenciada se houver um sentimento de unidade entres os atores, que devem trabalhar juntos. “O caminho para tornar as cidades mais resilientes passa necessariamente por uma governança multinível. Neste momento que o Brasil está vivendo, eu penso que é preciso um pacto federativo, a instituição de uma grande frente política, uma grande aliança nacional, para que a gente reconstrua o país e que a gente dê conta da dimensão dos problemas que nós estamos enfrentando”, disse

A gestora estadual destacou aquilo que tem sido o trabalho nos municípios frente aos desafios impostos pela crise climática, ressalvando que sozinhos não dão conta de todos os problemas. “É impressionante o esforço de muitos municípios para tratarem dos seus planejamentos climáticos, de suas políticas, e da busca pela implementação dos seus projetos. Mas isso não dá conta do tamanho dessa questão. Redes como o ICLEI, a Under2, a Abema, e tantos outros, precisam estar juntos. Temos que estabelecer este pacto de uma governança multinível”, afirmou Inamara.  

Ainda nesta quinta, Inamara Mélo teve um encontro com Renata Moraes, Gerente no Brasil da organização Climate Reality Project, uma iniciativa criada pelo ex vice-presidente dos EUA e Nobel da Paz Al Gore, com o intuito de aglutinar globalmente soluções para a crise climática. E que tem como importante diretriz o incentivo à educação ambiental. No encontro, a Secretária de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco apresentou as iniciativas que o Estado tem desenvolvido na área da educação ambiental. 

“Conversamos sobre o empenho da nossa secretaria para desenvolver uma plataforma digital de educação ambiental, a Ambiente+, que hoje atende diversas escolas e alunos da rede pública pernambucana. Contei, também, do nosso programa em parceria com arte-educadores para promovermos a consciência climática nos municípios do nosso Estado através de peças e esquetes teatrais. Além disso, conversamos sobre o trabalho desenvolvido pela Semas, na presidência da Comissão Interinstitucional de Educação Ambiental de Pernambuco (CIEA/PE)”, relatou a Secretária.

Durante a conversa também foi discutida a possibilidade de adesão do nosso Estado à iniciativa “Educação Climática Já”, encampada pela Climate Reality Project. Tanto a organização global, quanto o Estado de Pernambuco, compartilham do entendimento de que o processo de transição que estamos vivendo no mundo requer, necessariamente, o apoio enfático na educação ambiental e climática.