O encontro, que objetivou fomentar a discussão da pauta climática dentro do estado, apresentou um panorama do plano de descarbonização de Pernambuco e perspectivas dos governos subnacionais após a COP26

COP 26: Avanços e Desafios no enfrentamento a Mudança do Clima – Pernambuco na COP 26 foi o tema do painel organizado pela Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco (Semas/PE) e realizado, por videoconferência, na manhã desta quinta-feira, 02, no âmbito do Fórum Pernambucano de Mudança do Clima (FPMC), em sua 5ª Reunião extraordinária. O encontro, mediado pela superintendente de Sustentabilidade e Clima da Semas, Samanta Della Bella, objetivou fomentar a discussão da pauta climática dentro do estado, a fim de incentivar a adoção de medidas para um futuro carbono neutro. Contou com a colaboração de importantes especialistas da área e reuniu representações de diversos municípios, além de universidades, ONGs e público interessado na pauta da sustentabilidade e mudanças climáticas, que puderam participar com perguntas pelo chat.

A abertura do evento, transmitido pelo canal do Youtube da Semas, ficou a cargo do titular da secretaria e presidente do FPMC, José Bertotti. Na ocasião, o gestor explanou sobre as perspectivas do plano de descarbonização do estado, que está sendo elaborado com a parceria da União Europeia, FPMC e a consultoria do Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (COPPE/UFRJ) – pioneira em estudos de adaptação às mudanças do clima.

A primeira parte da atividade contou com a explanação de especialistas da área que fizeram um balanço da COP 26 e as oportunidades de crescimento dos estados a partir da adoção de medidas para a efetivação de uma exitosa agenda climática. A segunda parte das explanações foram voltadas para a apresentação do andamento do Plano de Descarbonização do estado.

Participaram do encontro Natalie Unterstel, presidente do Instituto Internacional de Políticas Públicas Talanoa; Solange Ribeiro, vice-presidente do conselho do Pacto Global das Nações Unidas e diretora-presidente adjunta do grupo Neoenergia; Isabella de Roldão, vice-prefeita do Recife e embaixadora para a América do Sul da Cities Climate Finance Leadership Alliance (coalizão global de entidades dedicadas ao urbanismo sustentável, com foco no financiamento de ações climáticas); além de Fábio Teixeira, coordenador Técnico do Plano de Descarbonização de Pernambuco e pesquisador da COPPE/UFRJ.

Em sua participação, o titular da Semas José Bertotti destacou que o Plano de descarbonização de Pernambuco indica metas e políticas públicas que precisarão orientar as atividades econômicas a serem incentivadas. “O controle de emissão de gases poluentes, passa necessariamente pelo modelo de desenvolvimento de nossas atividades produtivas e de proteção as nossas florestas e nascentes, para que sejam direcionadas a um equilíbrio, a exemplo da recomposição da cobertura vegetal, a produção de alimentos saudáveis com agricultura de baixo carbono, ressaltando aí, a importância de fazermos a transição da nossa matriz energética, da nossa matriz de transporte para podermos avançar nesse processo. E hoje, na nossa última reunião do Fórum em 2021, eu gostaria de trazer um pouco da reflexão sobre o que tem sido este espaço de debate do Fórum Pernambucano de Mudança do Clima e o que tem sido a ampliação da agenda climática no estado”, destacou o gestor da Semas, José Bertotti.

No painel do evento, o tema A COP 26, a parir da perspectiva empresarial, contou com abordagem de Solange Ribeiro, diretora-presidente adjunta do grupo Neoenergia e vice-presidente do conselho do Pacto Global das Nações Unidas. “Políticas públicas e marcos regulatórios robustos são essenciais para gente ter segurança e tornar o ambiente mais propício e atraente para o investidor. E parcerias público-privada, governança e stakeholders são importantes neste processo pois não fazemos nada só, é preciso trabalhar em conjunto. E aqui, em Pernambuco, nós temos um memorando de entendimento para desenvolver uma planta piloto de hidrogênio verde, além de estarmos junto no programa carbono Neutro em Noronha. Lá, já temos duas usinas solares implantadas e outros projetos a serem desenvolvidos”, explicou Solange.

O tema Visões para um Brasil 2030 na COP 26, ficou a cargo da presidente do Instituto Internacional de Políticas Públicas Talanoa, Natalie Unterstel.  A especialista em políticas públicas explanou sobre o documento Clima e Desenvolvimento: visões para o Brasil 2030 – Documento de Cenários e Políticas Climáticas, apresentado na COP 26. O relatório reflete a contribuição dos diversos especialistas consultados sobre como aumentar a ambição climática brasileira e tem por base os compromissos assumidos no Acordo de Paris.

A iniciativa conta com três cenários, o primeiro de retomada econômica – com desenvolvimento econômico com distribuição de renda; o segundo, de mitigação, com Retomada e Transição Justa, que agrega ao cenário inicial uma radical redução do desmatamento e aumento da plantação de florestas em áreas públicas e privadas, a partir de 2025. Inclui ainda a precificação do carbono: um mercado de cotas comercializáveis de emissões do uso de energia fóssil e de processos/produtos (IPPU) para o setor da indústria, além de uma taxa de carbono sobre as emissões do uso de combustíveis fósseis nos demais setores da economia. O terceiro cenário agrega um nível ainda maior de efetividade das políticas para redução do desmatamento, que chega a zero na Amazônia e na Mata Atlântica, com o incremento de remoções de carbono em mais 30%, em especial nas terras indígenas e unidades de conservação, conforme Natalie.

Isabella de Roldão, por sua vez, abordou os Avanços e Desafios no enfrentamento a Mudança do Clima nas cidades: “Um dos grandes ganhos da COP 26 foi a compreensão de que os governos subnacionais precisam ser ouvidos e ter participação efetiva nas decisões, pois a vida acontece nas cidades, compreendendo que oportunidades e dificuldades vão variar de região pra região, mas a pauta da sustentabilidade passa por um processo de escuta”. A vice-prefeita do Recife também ressaltou que nas participações de mesas da COP, foi ressaltada a necessidade dos financiamentos acontecerem com esse foco nas cidades. E, na ocasião, apresentou dificuldades e potencialidades da cidade de Recife.

Plano de descarbonização

No segundo bloco do evento, o pesquisador da COPPE/UFRJ, Fábio Teixeira, apresentou um panorama do Plano de Descarbonização de Pernambuco: Modelagens cenário Carbono Neutro para Pernambuco, análise multicritério e próximos passos. Em sua apresentação, por meio das modelagens e estimativas de cenários, pontuou estratégias a serem adotadas para a descarbonização como: mudanças no uso da terra que prevê reflorestamento da Caatinga e Mata Atlântica; produção de biocombustíveis como diesel verde e bioquerosene; transporte de baixo carbono que prevê a eletrificação da frota leve de veículos e biocombustíveis para veículos pesados ( a exemplo de aeronaves); recuperação de biogás com aterro sanitário e tratamento de esgoto, além de uso e armazenamento de CO² pelo setor industrial.

O Plano de Descarbonização a ser finalizado em fevereiro de 2022, está sendo elaborado a partir de projeções da economia atual, considerando os setores que mais impactam em termos de liberação dos gases causadores do aquecimento global. Com isso, está sendo desenhada a trajetória para alcançar a neutralidade carbônica, ou seja, as medidas mais eficazes para acabar com as emissões ou compensar aquilo que não for possível deixar de produzir. De forma consistente, o estudo apresentará metas escalonadas de redução a serem alcançadas em 2025, 2035 e 2050. Serão, inclusive, apontados os investimentos necessários e os impactos sociais e econômicos decorrentes das ações propostas.