O evento, virtual e gratuito, reunirá palestrantes nacionais e internacionais. A iniciativa é fruto de uma ação coletiva que conta com 20 correalizadores, entre eles o Governo de Pernambuco

Nos dias 5 e 12 de novembro, acontece, de forma virtual e gratuita, a segunda edição da Conferência Brasileira de Mudança do Clima (CBMC), com transmissão ao vivo pelo canal do Ethos no YouTube. A programação, que irá contar com palestrantes nacionais e internacionais, contempla painéis que abordarão: ação climática subnacional, democracia ambiental, justiça climática e a questão dos oceanos, entre outros temas.

A CBMC é uma iniciativa coletiva que conta com 20 correalizadores: Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), Artigo 19, Centro Brasil no Clima (CBC), Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pernambuco, Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), Fundação Amazonas Sustentável (FAS), FGV/EAESP – Centro de Estudos em Sustentabilidade, Fundacion Avina, Hivos, ICLEI – Governos Locais pela Sustentabilidade, Instituto Clima e Sociedade (iCS), Instituto Ethos, Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM Amazônia), Observatório do Clima, Prefeitura do Recife, Projeto Saúde & Alegria, Rede Brasil do Pacto Global, Rede de Cooperação Amazônica (RCA), Reos Partners e WWF Brasil.

O objetivo do evento é reunir diferentes atores sociais – organizações não governamentais, movimentos sociais, povos tradicionais, governos, comunidade científica e os setores público e privado – na promoção de diálogos para a formulação e monitoramento de compromissos que influenciam o clima e propõe saídas para a implementação da NDC brasileira. O encontro é apartidário, de organização coletiva e tem como base a NDC Brasileira, o Acordo de Paris e a Agenda 2030.

“Frente ao momento que vivemos na agenda climática, se torna ainda mais indispensável a realização desse grande encontro. O Brasil tem até dezembro deste ano, para confirmar se reforçará sua meta climática e que o avanço do desmatamento ilegal implica em grande risco de o país não cumprir o compromisso já assumido. Nesse sentido, o Brasil reverte de forma acelerada a tendência de redução do desmatamento da década anterior e seu protagonismo na agenda e governança climática torna-se alvo da pressão de investidores, empresas e da comunidade internacional”, acredita Caio Magri, diretor-presidente do Ethos.

“A Conferência Brasileira de Mudança do Clima (CBMC) é uma importante vitrine para o Brasil mostrar que está firme na busca por cumprir os compromissos do Acordo de Paris e na construção de uma sociedade de baixo carbono, apesar do posicionamento contrário do Governo Federal. Pernambuco entende que os governos subnacionais (estados e municípios) têm um papel fundamental na consolidação de políticas para o controle das emissões de gases do efeito estufa, assim como na realização de atividades visando à adaptação aos efeitos do aquecimento global. Neste sentido, temos atuado frequentemente em conjunto com outros estados e, mais uma vez, somos um dos correalizadores da CBMC”, destacou o secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco, José Bertotti.

Sobre a Programação

Serão dois dias de intensos debates com especialistas do Brasil e do exterior. A abertura acontece, às 9h, com Ana Toni (iCS), Caio Magri (Instituto Ethos), Christel Scholten (Reos Partner), Geraldo Julio (Prefeito do Recife), Glaucia Barros (Fundación Avina no Brasil), Guilherme Sirkis (CBC), entre outros nomes.

Pernambuco participará do primeiro painel, às 10h10, com o tema “Estratégias para potencializar a ação climática subnacional”. O objetivo é discutir como alavancar as iniciativas de captação de recursos, projetos, troca, monitoramento, resultados, engajamento, de modo a inspirar a atuação e avanço dos Estados brasileiros na agenda do clima. Os debatedores são Inamara Mélo (secretária executiva da Semas-PE), Eduardo Tavares (secretário de Planejamento do Estado do Amapá e coordenador do Programa Tesouro Verde), Rolf Bateman (coordenador de engajamento do The Climate Group/Under 2 Coalition – Brasil) e Shara Mohtadi (líder de ações climáticas subnacionais da Bloomberg Philanthropies).

No mesmo dia, Pernambuco também marca presença, às 13h, no painel “Lançamento da publicação: como contribuir para criar e implementar políticas públicas sobre mudança do clima? guia para estados e municípios”. Os debatedores são Eduardo Taveira (secretário de Meio Ambiente da Amazônia), Ludovino Lopes (Ludovino Advogados), Stephanie Horel (programas da Delegação da União Europeia no Brasil) e Inamara Mélo (Semas-PE e CT do Clima da Abema). A moderadora é Samanta Della Bella, superintendente de Sustentabilidade e Clima da Semas-PE. As publicações trazem relevantes questões em relação às competências jurídicas e administrativas dos entes subnacionais para a implementação dos compromissos climáticos, além de uma visão acerca dos instrumentos regulatórios, econômicos e financeiros disponíveis.

A programação completa da CBMC está disponível em: www.climabrasil.org.br.

Edição de 2019

A primeira edição da Conferência Brasileira de Mudança do Clima (CBMC) surgiu no final de 2018 como uma alternativa para ressaltar e sinalizar à comunidade internacional e à sociedade civil que existem múltiplos interesses e atores engajados nas pautas da mudança climática.

Realizada em novembro de 2019, na cidade do Recife, contou com a participação de diferentes públicos e palestrantes, nacionais e internacionais, que durante três dias, refletiram sobre a atual situação mundial, lançaram e apresentaram importantes documentos e assinaram acordos. Toda essa movimentação gerou desdobramentos na COP 25.

Desdobramentos da Primeira CBMC

Como ações efetivas que surgiram na CBMC temos a Declaração do Recife, que compila sugestões de mitigação e adaptação dos dezesseis grupos de trabalho que se responsabilizaram pela programação da edição; a carta dos órgãos estaduais de meio ambiente pelo clima, ratificada por 48 órgãos representados pelas respectivas secretarias de estado, da Associação Brasileira de entidades estaduais de meio ambiente; e, o Decreto 33.080, assinado pelo prefeito do Recife, em reconhecimento à emergência climática global.

Quanto a COP 25, realizada em Madri, o Instituto Ethos em colaboração com organizações parceiras esteve presente em três momentos com o objetivo de apresentar os desdobramentos da CBMC e como a Declaração do Recife pode estimular os diversos setores da sociedade na manutenção do Acordo de Paris e da NDC, através de metas e sugestões específicas para os segmentos que o documento contempla.

“O Brasil desperta importante interesse internacional na temática da adaptação e mitigação às alterações do clima, visto que sua cobertura florestal e correlatos serviços ecossistêmicos são essenciais para o regime hídrico e consequente manutenção das atividades agrícolas no país assim como para a bioeconomia, além de serem fundamentais também para a manutenção das comunidades tradicionais e dos povos da floresta, assim como de seus costumes”, explica Flavia Resende, coordenadora de Projetos em Meio Ambiente, do Ethos.