Na mesa virtual que integra o Seminário Internacional de Direito e Economia Política, Bertotti destacou possibilidades de cooperação entre China e Brasil em diversas áreas.

O secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco (Semas/PE), José Bertotti, participou, por videoconferência, nesta quarta-feira (16), da mesa “Planejamento e Desenvolvimento sustentável na China contemporânea”, que integra o Seminário Internacional de Direito e Economia Política. O gestor estadual debateu o tema ao lado de especialistas nacionais e internacionais. A atividade foi transmitida pelo canal do YouTube do Instituto de Estudos da Ásia, da Universidade Federal de Pernambuco (Ieasia/UFPE).

De acordo com Bertotti, a China procura desenvolver projetos que se assentam na lógica de desenvolvimento dos países e isso pode refletir na construção de infraestrutura e na possibilidade de cooperação para, inclusive, a transferência de tecnologia (a exemplo da vacina contra a Covid-19). O gestor da Semas destacou ainda que o país asiático é um exemplo na área de energia renovável, em especial na produção de placas solares. E a necessidade de avançar na agenda de políticas ambientais é estratégico para os países.

“Entendo que essas possibilidades de parceria passam pelo roteiro de desenvolvimento de cada país e a gente precisa se aprofundar nessa lógica de uma ecocivilização. Assim, isso pode representar uma relação mais próxima da cooperação entre Brasil e China dentro do que seriam os desafios nossos, lembrando que os estados subnacionais, de forma organizada juntamente com as prefeituras, têm um importante papel nessa conjuntura”, ressaltou Bertotti.

Conforme o gestor da Semas, o próprio Xi Jinping, presidente da República Popular da China, e a União Europeia estão se reorganizando e retomando o debate da agenda do clima. Chegaram na Cúpula do Clima apresentando iniciativas muito mais articuladas com metas, planos e ações para reduzir e neutralizar suas emissões de gases de efeito estufa até 2060. Enquanto no Brasil, o governo alegaria falta de dinheiro para combater as queimadas – que são uma das maiores emissoras de gás estufa no país. Bertotti destacou ainda que, mesmo diante deste cenário, Pernambuco lançou, em parceria com a União Europeia, o Plano de Descarbonização da economia do estado, que pretende reduzir as emissões de CO2 até 2050.

Para o professor Marcos Costa Lima, coordenador do Instituto Ásia, e um dos debatedores, a questão ambiental é simultaneamente uma problemática global e local. Segundo o pesquisador, embora a China esteja entre os países com maior emissão de gases de efeito estufa, ao lado dos Estados Unidos e da índia, vem realizando mudanças notórias em sua política, favorecendo uma troca mais amigável com o meio ambiente. Conforme Costa Lima, ainda que necessite de ajustes e maior ‘enforcement’, o posicionamento chinês vem mudando em direção à construção de uma civilização ecológica.

Participaram da mesa virtual, além do gestor da Semas e do coordenador do Instituto Ásia, a pesquisadora Sit Tsu, da Southwest University (EUA), Mariana Barbieri, pesquisadora da Universidade de Campinas (Unicamp) e a ex-ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (UNDP).

Além da soja -Para a ex-ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, o Brasil precisa estruturar seu processo de desenvolvimento olhando a questão climática e a discussão da biodiversidade focando a agricultura como um campo estratégico da economia, lidando com as desigualdades sociais e a fome – que aumentaram durante a pandemia. Na ocasião, Izabella ressaltou que a questão do comércio internacional passa a ter papel extremamente relevante de influenciar nestas mudanças. Destacou que o Brasil tem hoje cerca de 20 % da sua área com agricultura de baixo carbono, com sistemas agroflorestais. Estas tecnologias são todas desenvolvidas no Brasil e os chineses, conforme a ex-ministra, teriam grande interesse nelas, pois a enxergam como uma solução para fixar a população chinesa no território, dando autonomia e segurança alimentar à população. “Precisamos ir além da soja, a questão climática nos impõe outros caminhos”, salientou.

Em sua explanação, Sit Tsu explicou que umas das políticas adotadas pelo governo chinês é a revitalização rural que visa investir numa economia que seja amigável para a ecologia. Ressaltou que buscaram melhorar a infraestrutura do ponto de vista ecológico para atrair mais investimento internacional. Destacou ainda que a maioria dos camponeses contam com um pedaço de terra para plantio e isso representa acesso à comida em épocas de crise.

A pesquisadora Mariana Barbieri falou sobre as dimensões tanto humanas quanto sociais das mudanças climáticas no sul global e como a China está sendo colocada como um dos países mais vulneráveis a estas mudanças, no entanto, envidando esforços para superar a degradação ambiental com progressos realizados no país nos últimos 10 anos.