O secretário José Bertotti apresentou ações e investimentos que o Governo do Estado está realizando para diminuir os impactos das mudanças climáticas e compromissos concretos em prol das pautas ambientais

A Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco (Semas/PE) encerrou a participação na Conferência do Clima da ONU, a COP26, com um saldo positivo: foram firmadas parcerias importantes, apresentadas iniciativas de enfrentamento às mudanças climáticas, além do anúncio do maior volume de investimentos para a área ambiental no estado: um aporte de R$ 75 milhões para ações de combate ao aquecimento global.

Realizada de 31 de outubro a 12 de novembro, com a participação de mais de 200 países , a 26ª Conferência do Clima das Nações Unidas foi composta por sessões plenárias com ministros e chefes de estado, painéis, palestras e demais reuniões que contaram com a participação de gestores de governos subnacionais, representantes de organizações ambientais, parlamentares e representantes de redes e fóruns com articulações internacionais.

Durante a Assembleia Geral da Under 2 Coalition, grupo de governos locais comprometidos com o enfrentamento das mudanças climáticas, o governador Paulo Câmara anunciou um pacote de ações na área da sustentabilidade para o Estado, no valor de R$ 75 milhões. O aporte de recursos para a agenda ambiental em Pernambuco será empregado para reflorestamento da principal área de Mata Atlântica, a APA Aldeia-Beberibe, para recuperação de mil nascentes de rios em 50 municípios e para apoio aos municípios com a implementação de centros de triagem para tratamento de resíduos sólidos que beneficiará 43 cidades que não contam com aterros sanitários.

“Nossa expectativa é que possamos chegar aos grandes acordos, pois 80% das emissões de gases poluentes estão concentradas em 20 países, exatamente aqueles países do G20, que se reuniram um pouco antes da COP. Não vimos, efetivamente, como esses países se comprometeram com a redução, por exemplo, do uso de carvão, com a redução do uso de combustíveis fósseis e, na realidade, muitos desses países, inclusive o Brasil, ainda fazem subsídios para este tipo de energia que contribui para o aquecimento global. É neste sentido que precisamos firmar compromissos. Não é tão somente o mercado de carbono que vai resolver, não é a troca de emissões de países desenvolvidos por países que ainda estão em desenvolvimento que solucionará a questão climática no planeta e sim um novo modelo de desenvolvimento que utilize energias limpas, trate os resíduos sólidos, que possa recuperar a imensa camada de proteção do nosso planeta, que são as nossas florestas. E nós que fazemos a Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco assumimos compromissos concretos, mas é necessário que todos os países se envolvam”, enfatizou o secretário José Bertotti.

Parcerias e acordos internacionais
Entre as parcerias realizadas na COP 26 está a firmada com a empresa Timbeter, da Estônia, que será instalada no Porto Digital, no Recife, e disponibilizará um aplicativo que servirá como ferramenta no combate à extração ilegal de madeira. A iniciativa vai gerar ainda mais oportunidades de emprego e renda para o Estado. Foi acordado na COP, ainda, que Pernambuco irá sediar o próximo Encontro Internacional do ICLEI em março do ano que vem, reunindo governos locais em favor da sustentabilidade.

Um marco importante para o enfrentamento às mudanças climáticas foi a assinatura pelo Governo de Pernambuco da Carta de Edimburgo que representa o compromisso do Estado e de sua capital em buscar medidas efetivas para a conservação de suas biodiversidades e pela neutralidade de gases do efeito estufa. Integrada ao Acordo de Paris, que prevê metas para a redução do aquecimento global, e aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU, a declaração é um reconhecimento internacional para a construção de uma sociedade de baixo carbono, inclusiva, resiliente e biodiversa.

A participação na COP26 possibilitou também uma conversa sobre ações para o desenvolvimento sustentável de Pernambuco com Xie Zhenhua, um dos enviados especiais da China e principal articulador do Acordo de Paris que se colocou à disposição para firmar parcerias com o Estado.


Energias renováveis

Pernambuco inaugurou esse ano um parque de energia solar onde foram investidos 3 milhões e meio de reais numa parceria público-privada para a produção de 1.1 gigawatt de energia e está também com investimentos da União Europeia no Complexo Industrial de Suape para a produção de hidrogênio verde. Em uma das reuniões da COP26, realizada no último domingo, 07, o governador Paulo Câmara encontrou a primeira-ministra da Escócia, Nicola Sturgeon para um diálogo sobre a busca por fontes renováveis de energia, sobretudo a eólica, que corresponde a 97% da matriz escocesa. Na ocasião foi discutida a proposta de produção de hidrogênio verde e o Hub desse novo tipo de energia, que irá se instalar em Suape.

Descarbonização
Na ocasião da conferência, a Semas apresentou a atualização do Inventário de Gases de Efeito Estufa e avanços no andamento de plano de descarbonização do estado com vários setores produtivos envolvidos.

O Plano de Descarbonização está sendo elaborado a partir de projeções da economia atual, considerando os setores que mais impactam em termos de liberação dos gases causadores do aquecimento global. Com isso, será desenhada a trajetória para alcançar a neutralidade carbônica, ou seja, as medidas mais eficazes para acabar com as emissões ou compensar aquilo que não for possível deixar de produzir.

Nesse processo, destaca-se a metodologia escolhida por Pernambuco, a mesma que vem sendo usada no mais novo relatório do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climática da ONU) e o seu emprego num plano estadual representa um esforço inédito, em âmbito latino-americano. A iniciativa apresenta metas escalonada para zerar as emissões de gases do efeito estufa no Estado, para 2025, 2035 e 2050.