A última edição da série aconteceu durante encontro promovido pela Abema em Cuiabá (MT) e abordou os caminhos que os estados precisam percorrer para obter recursos 

Como os estados brasileiros podem acessar recursos financeiros para implementação de suas estratégias de descarbonização? Este foi o chamamento da edição de encerramento da série de diálogos “Recuperação Verde: caminhos sustentáveis para os estados”. Com o tema “Financiamento para ações de descarbonização”, o diálogo aconteceu na tarde dessa quarta-feira, 11 de maio,  de forma híbrida (online e presencial),  durante encontro de gestores estaduais de meio ambiente promovido pela Associação Brasileira de Entidades Estaduais de Meio Ambiente (Abema) , em Cuiabá (MT) e contou com a presença do vice-governador do Mato Grosso, Otaviano Piveta, o embaixador da União Europeia no Brasil, Ignacio Ybáñez, e o embaixador da Alemanha no Brasil, Heiko Thoms. A nona edição da série teve a parceria do programa Strategic Partnerships for the Implementation of the Paris Agreement (SPIPA) e o apoio dos governos estaduais do Espírito Santo, de Pernambuco e de São Paulo, além da organização CDP (Carbon Disclosure Project). 

A reunião foi presidida pela secretária de Meio Ambiente do Mato Grosso e presidente da Abema, Mauren Lazzaretti. O diálogo trouxe para o debate o financiamento de ações para a descarbonização, envolvendo os setores de energia, transportes, resíduos, agricultura, florestas, indústria, entre outras. Na palestra de abertura,  a diretora de Programas na NINT Natural Intelligence, Tatiana Assal, falou sobre as oportunidades e os desafios do financiamento climático para os estados brasileiros. Em seguida, o especialista em Estratégias e Políticas de Baixo Carbono na HEAT GmbH, Michele Stua, apresentou casos de sucesso e lições aprendidas pela União Europeia sobre o tema. As experiências brasileiras foram abordadas no painel composto pela gerente de Estados e Regiões da América Latina na CDP, Andreia Banhe, e pelo diretor de Projeto no Brasil – FELICITY na Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH, Gustavo M. Ribeiro.

 Na sequência, os participantes puderam conferir a mesa redonda “Lacunas e oportunidades de financiamento” e tirar dúvidas sobre o tema. Com moderação da assessora técnica na Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH, Raquel Souza, a mesa contou com a participação de Anne Gander, gerente de Projetos na Agence Française de Développement (AFD) e José Alex Aires dos Santos, gerente executivo de Produtos no Banco da Amazônia (BASA). 

Realizada desde janeiro, com nove encontros no total, a série de diálogos “Recuperação Verde: caminhos sustentáveis para os estados” teve como principal objetivo auxiliar os governos estaduais na busca de caminhos sustentáveis para o crescimento econômico aliado ao cumprimento das metas de redução de emissões de carbono delimitadas pelo Acordo de Paris. Mais de 700 gestores públicos, especialistas e outros interessados, provenientes de 15 estados, já participaram do evento que abordou temas como eficiência energética, energias renováveis e descarbonização.   

Apresentando experiências do Brasil e da União Europeia, a série utilizou como base os conceitos do Pacto Ecológico Europeu, agenda que tem como ponto central garantir a neutralidade climática da Europa até 2050, ano que o bloco estabeleceu como meta para zerar o balanço das emissões de gases do efeito estufa. Com medidas que vão do campo às cidades, da restauração de florestas à eficiência energética, o ambicioso Pacto Ecológico Europeu é uma estratégia de crescimento que promete revolucionar a economia do bloco, gerar empregos e formar uma sociedade mais justa e conectada.  

“Estes diálogos tiveram o importante objetivo de discutir com os estados brasileiros os benefícios e oportunidades da recuperação econômica verde: conhecemos os desafios impostos pela mudança climática, dos grandes esforços que devemos empreender para redução de emissões e adaptação aos efeitos da mudança do clima, conhecemos a crise sanitária e econômica que a pandemia nos trouxe, e quais as oportunidades surgem deste cenário, como podemos avançar para alcançar os objetivos do acordo de Paris, trazendo desenvolvimento e melhoria na qualidade de vida de todos. Diversos foram os assuntos tratados que se apresentam como uma oportunidade econômica e de redução de emissões como a produção de biogás e biometano a partir de resíduos, agricultura de baixo carbono, energia renovável, etanol, biodiesel, hidrogênio verde… e hoje fechamos com um tema que inquieta muitos gestores: financiamento, como direcionamos recursos para efetivação dessas oportunidades, quais capacidades necessárias para captação, quais os gargalos que precisamos trabalhar para que os recursos cheguem nas ações que vão impulsionar a transformação da nossa sociedade”, ressaltou Inama Mélo, secretária de meio ambiente de Pernambuco e coordenadora da Câmara Técnica do Clima da Abema.  

A Abema tem se empenhado nos últimos anos em ampliar o protagonismo dos estados no enfrentamento à mudança do clima e em fazer avançar os nossos compromissos climáticos. Um trabalho que envolve o impulsionamento, o estabelecimento de metas, a construção de caminhos possíveis. E estes diálogos integram e fortalecem esse esforço. Todos os encontros da série de diálogos “Recuperação Verde: caminhos sustentáveis para os estados” foram gravados e estão disponíveis para consulta no canal do Youtube da Abema: https://www.youtube.com/channel/UC4kp4edX4P2gni2evjXB25g 

Com informações de Bia Murano (BM Comunicação) 
Fotos: Semas PE