“Queremos avançar no fortalecimento do Sistema Estadual de Unidades de Conservação”, diz Bertotti

Em visita pelo Sertão, secretário Estadual de Meio Ambiente visitou reserva privada mais antigas do Estado, reconhecida pelo Ibama em 1997

O secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco, José Bertotti, percorreu, nos últimos dois dias, a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Maurício Dantas, localizada na divisa entre os municípios de Floresta e Betânia. Com 1.485 hectares, ela é uma das unidades de conservação federal sob domínio privado mais antiga do Estado, reconhecida pelo Ibama em 1997. A atividade, que contou com a participação de representantes da RPPN e do Instituto Abdalaziz de Moura, teve como foco integrar e potencializar a gestão das Unidades de Conservação públicas e privadas no Estado, por meio de parcerias.

“Essa é uma área muita riqueza que precisa seguir preservada. Queremos avançar no fortalecimento do sistema, na qualificação da gestão das UCs – sejam elas municipais, estaduais ou federais, públicas ou privadas, tendo uma atenção especial para Caatinga. É uma questão de sustentabilidade. Nosso povo sabe viver e produzir na Caatinga, juntamente com isso precisamos preservar o bioma”, disse Bertotti lembrando que serão realizadas, até o primeiro semestre de 2023, estudos ambientais em 47 Unidades de Conservação sob a administração do Governo do Estado.

Visita a RPPN d Bethania

Em Betânia, a visita foi acompanhada por Paulo Vasconcelos, representante da família a qual pertence a RPPN; um grupo de profissionais do Instituto Abdalaziz de Moura – que vem estudando os potenciais da área -; além do membro do Conselho Estadual de Meio Ambiente (Consema), Sebastião Alves. Foram realizadas caminhadas tanto na região mais baixa da propriedade, que fica a 200 metros do nível do mar, como na área de serra, a 620 metros de altitude. “Foi possível ver toda a exuberância do bioma Caatinga, como sua vegetação características mais baixa, seca, repleta de cactáceas na área mais baixa da reserva, e também aquela vegetação mais alta, densa e húmida na área de serra”, descreveu o secretário, que também se encontrou com prefeito de Betânia, Mário Flor.

De acordo com ele, a visita foi um primeiro passo para construção de parcerias com a UC. Embora a reserva já possua plano de manejo, os gestores do local – juntamente Instituto Abdalaziz de Moura – vêm estudando iniciativas para potencializar as atividades de educação ambiental, turismo e produção sustentável no local. “Temos o interesse de estreitar os laços com as UCs públicas e privadas no Estado, de forma a fortalecer o sistema estadual. Assim como, queremos apoiar esses territórios na sua agenda de ações sustentáveis”, frisou Bertotti, lembrando a existência de inscrições rupestres talhadas em pedras na RPPN, que ainda não foram estudadas.

Maurício Dantas – A RPPN é uma UC federal de uso sustentável em que são desenvolvidas atividades de pesquisa científica, educação ambiental e ecoturismo. Ela apresenta um conjunto de belezas naturais formado por serras, serrotes, chapadas, pedras e riachos, a exemplo do Serrote do Risco, Cabeço do Inácio, Serra Olho D’ Água, Pedra do Letreiro, Serrote da Jibóia e Caldeirão do Gato. A área é composta por vegetação do bioma Caatinga, destacando-se pela presença de árvores, cactáceas, bromélias e flores nativas. Também é abrigo de uma fauna rica como a asa branca, o papagaio, a seriema e o jacu.

O que é RPPN – A Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) é uma área de domínio privado a ser especialmente protegida por iniciativa de seu proprietário, mediante reconhecimento do Poder Público. Isso porque o local precisa ser considerado de relevante importância pela sua biodiversidade, ou pelo seu aspecto paisagístico, ou ainda por suas características ambientais que justifiquem ações de recuperação.

 

Fotos: Lu Rocha/SemasPE