Encontro virtual apresentou uma radiografia das regiões com seus vários desafios, além de experiências inspiradoras na gestão de UCs fora do estado

A Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco (Semas/PE) realizou, nesta quarta (09), o segundo webinário de uma série de quatro encontros sobre o Programa Unidades de Conservação de Pernambuco (UC), responsável pela elaboração de estudos ambientais para 47 UCs do estado. O evento virtual, transmitido pelo canal do youtube da Semas, abordou as UCs enquanto estratégias para conservação da biodiversidade dos biomas da Caatinga e Mata Atlântica. O encontro, coordenado pelo superintendente de Conservação da Biodiversidade da Semas, Maurício Guerra, contou com a explanação dos pesquisadores Fernanda Lemes, mestra em planejamento urbano, coordenadora do Núcleo Planos de Manejo da Fundação Florestal de São Paulo; Ednilza Maranhão dos Santos, professora UFRPE/ Rede da Biosfera da Caatinga; Renato Garcia Rodrigues, professor da Univasf e coordenador do Núcleo de Ecologia e Monitoramento Ambiental (Nema) da universidade.

Segundo Maurício Guerra, o objetivo da iniciativa é “discutir os desafios postos ao programa UC Pernambuco e trazer novos conceitos, além de aprendizados com as experiências que estão sendo compartilhadas”. O programa conta com a colaboração de diversos parceiros institucionais públicos, privados e da sociedade civil, nas discussões sobre a gestão e implementação de áreas protegidas.

Em sua explanação, Fernanda Lemes, numa parceria entre São Paulo e Pernambuco, apresentou experiências da implementação de planos de manejo do estado de São Paulo, destacou casos exitosos de gestão compartilhada e relatou como a Fundação Florestal vem aplicando o método de gestão dos planos nos territórios. Ressaltou a publicação do Inventário Florestal do Estado de São Paulo, lançada em 2020, com mapeamento dos biomas no estado e seus domínios de extensão. Conforme a urbanista, a publicação elencou informações importantes, que foram utilizadas para o planejamento estratégico da conservação dos biomas do estado que são a Mata Atlântica e o Cerrado.

Fernanda trouxe também o caso de um conjunto de unidades de conservação do estado de SP e do município, criadas em diferentes períodos. Entre elas uma estação ecológica, um parque natural municipal e uma APA de várzea. Todas conectadas por corredores ecológicos. Segundo a urbanista, a iniciativa visa a proteção dos remanescentes florestais de Mata Atlântica, de nascentes e a presença de espécies ameaçadas de extinção.

A coordenadora da Fundação Florestal explicou que o conjunto de UCs contava com a metodologia de demarcação de zonas no território, organizada por setores. E que cada unidade apresentava programas específicos de gestão. Entre eles o programa de Manejo e Recuperação, de Interação Socioambiental, de Proteção e Fiscalização, de Uso Público, de Desenvolvimento Sustentável, além de um de Pesquisa e Monitoramento. A expositora ressaltou a importância da interação entre o órgão gestor, o conselho e o sistema ambiental paulista para o cumprimento de metas estabelecidas conjuntamente.

Diversas diretorias técnicas e executivas da Fundação, segundo Fernanda, fariam conexão com os vários núcleos das UCs (Regularização fundiária, Educação ambiental, Biodiversidade, Restauração, entre outros) para uma gestão mais efetiva. “São Paulo tem 121 unidades de conservação e 58 planos de manejo aprovados. Isto significa uma necessidade de institucionalização das estratégias para a implementação destes planos, o que implica também que as unidades de conservação tenham um suporte institucional para que seja garantido o cumprimento das metas definidas”, afirmou.

Caatinga – O pesquisador Renato Garcia explanou sobre avanços de áreas de conservação na Caatinga e os conhecimentos produzidos acerca do bioma com a implantação de centros acadêmicos na região do semiárido nos últimos anos. O pesquisador apresentou um mapeamento do bioma com unidades de conservação integral e de uso sustentável, um panorama das principais atividades econômicas da região, além da identificação de áreas suscetíveis à desertificação. Ressaltou que assim como outras localidades, a Caatinga recebe pressões constantes da produção agropecuária, de obras de infraestrutura e de mineração.

As Unidades de Conservação, de acordo com o professor, seriam os principais mecanismos para a manutenção de áreas naturais e também para a proteção da biodiversidade. “A reserva de territórios destinados à conservação é uma das medidas mais importantes para termos a manutenção de áreas naturais. Para a Caatinga em geral, ao longo do tempo, foi dada a preferência para a criação de UCs de uso sustentável. E Pernambuco aponta para um caminho importante, distinto do geral, pois tem implementado áreas de conservação também de proteção integral”, explicou.

“É importante criar, proteger e manter as unidades de conservação para a nossa sobrevivência. A gente compreende os serviços e as contribuições que estes territórios oferecem e a gente precisa manter a nossa biodiversidade. Parabenizo aqui, a inciativa do estado de trazer este programa de criação de planos de manejo, lembrando que a gente precisa criar mais unidades”, destacou a professora da UFRPE, Ednilza Maranhão dos Santos, em sua explanação. De acordo com Ednilza, Pernambuco dispõe de um documento importante que é o Sistema Estadual de Unidades de Conservação, espelhado no Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (Snuc), com mais de 20 anos.

Conforme Ednilza, a experiência apresentada por Fernanda Leme pode inspirar a construção de planos no estado que trabalhem junto com a comunidade, as organizações não governamentais assim como a academia, e contem com apoio institucional na sua execução para que o planejamento tenha eficiência.

Mais dois webinários estão previstos dentro do programa Pernambuco UCs, para os dias 23 de junho e 07 de julho.