Pesquisadores reforçam importância de maior envolvimento da sociedade na gestão de áreas protegidas

Semas reuniu especialista para debater governança de unidades de conservação em quarto webinário do programa UC Pernambuco

No último webinário preparatório para as ações do programa UC Pernambuco, a Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas/PE) reuniu, nesta quarta-feira (07), especialistas nacionais e regionais para debater modelos de governança e gestão de unidades de conservação. Os pesquisadores, em suas exposições, afirmaram que o caminho mais consistente para a garantir a preservação dessas áreas é ampliar as formas de participação e promover um maior engajamento da sociedade nos processos de tomada de decisão e na administração delas.

Cláudio Maretti, pesquisador independente e ex-dirigente do ICMBio e da WWF-Brasil, destacou que, no contexto das unidades de conservação (UCs), o conceito de governança e gestão passa pelo compartilhamento de poder e do processo de tomada de decisão. Nisso, é fundamental a participação efetiva da sociedade. “Eu tenho defendido o que chamo de conservação colaborativa como modelo de gestão das áreas protegidas. É o reconhecimento que vários atores contribuem para a gestão das áreas protegidas e de diferentes formas. Assim, precisamos de uma gestão mais aberta para atender a todos os interesses da sociedade”, disse.

Maretti também frisou que a governança integrada passa não só pelo diálogo entre sociedade/governo, como também por um elo mais próximo entre as gestões de diversas áreas protegidas, permitindo uma visão mais ampla da conservação e da paisagem na região onde estão as UCs. “Não podemos pensar nesse tema de forma isolada. Nos últimos anos, fala-se em mosaicos de conservação (corredores e ligações de UCs) sem pensar na ligação da gestão desse conjunto. Os mosaicos trazem uma contribuição importante, mas não substituem as redes ecológicas”, disse o pesquisador, exemplificando que a migração de ave depende de áreas protegidas no roteiro da migração e não só da contiguidade física imediata.

Cecília Brito, a responsável pela coordenação de Projetos do Instituto Ekos Brasil, ratificou o discurso de Maretti frisando não ser possível trabalhar com UCs sem olhar para o sistema como todo, envolvendo governos e sociedade civil. Ela ainda apresentou a experiência de gestão integrada da entidade, ICMbio e diversos atores na gestão do Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, em Minas Gerais; e do Mosaico Sertão Veredas – Peruaçu, ao qual o parque faz parte. A parceria existe há 18 anos e a UC recebeu investimentos em infraestrutura que permitem hoje a reserva receber visitantes de forma adequada. Além disso, é motor de geração de renda para as comunidades locais.

Por fim, a experiência dos núcleos de gestão integrada dos territórios pelo ICMbio foi detalhada em exposição por Carla Guaitanele, chefe do núcleo do ICMBio Fernando de Noronha. Atualmente, a metodologia é aplicada na gestão de 201 UCs federais. Já a pesquisadora e professora da UFPE, Vanice Selva, falou sobre os desafios do desenvolvimento do turismo em áreas protegidas, frente aos usos e à necessidade de compatibilização de interesses. Segundo ela, as UCs têm representado um papel fundamental como atrativo turístico, devido à diversidade de paisagens que elas apresentam.