Coordenador do plano, economista Régis Rathmann destacou o papel dos governos subnacionais nas ações concretas de enfretamento às mudanças do Clima

Na reunião do Fórum Pernambucano de Mudança do Clima, realizado nesta quinta (13), o cientista Roberto Schaeffer e o coordenador técnico para elaboração do plano de descarbonização de Pernambuco e economista, Régis Rathmann, fizeram explanações sobre a metodologia e os caminhos a serem desenvolvidos para a elaboração do estudo.

Schaeffer explicou que uma neutralidade de emissões de carbono no Brasil e em Pernambuco não significa que o estado se torne neutro em emissões de CO2 em todos os setores. Mas, significa que será compensado aquilo que não for possível zerar. “Alguns setores, sim, serão carbono neutro e podem ter emissões negativas compensando aqueles com emissões ainda positivas, levando Pernambuco – em um balanço geral – a ser um estado carbono neutro. Para isso, vamos utilizar modelos de estudos específicos para entender melhor as oportunidades e estratégias de mitigação e descarbonização da economia”, ressaltou o pesquisador.

Ainda segundo ele, um dos modelos a ser utilizado é o Brazil Land-Use and Energy Systems Model (BLUES). O instrumento apresenta cerca de 30 mil tecnologias, desde opções de lâmpadas de led, como diferentes tipos de reatores nucleares passando por diferentes tipos de carros: elétricos, com etanol, com pilha de combustível.

As pesquisas do professor Schaeffer envolvem o desenvolvimento de modelos de avaliação integrada de sistemas energéticos, uso do solo, de materiais e suas aplicações a longo prazo em cenários de mitigação das mudanças climáticas globais. Ele recebeu o prêmio Nobel da Paz em 2007, juntamente com o ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore e outros cientistas do painel intergovernamental de mudanças do clima pelas contribuições para lidar com o aquecimento global do planeta.

Já o economista e o coordenador técnico do trabalho, Régis Rathmann, destacou o papel importante dos governos locais nas ações concretas de combate ao aquecimento global. “A construção de uma trajetória de descarbonização, assim como de desenvolvimento sustentável é cada vez mais assumida pelos entes subnacionais, um papel de protagonismo no locus das ações concretas”, frisou.

Para Rathmann, a União Europeia, dentro da parceria firmada, pode contribuir tanto na etapa de apresentação de melhores práticas em termos de políticas públicas – para facilitar a implementação do plano de descarbonização -, como também na efetivação de ações que serão mapeadas no documento, a exemplo da implementação de projetos concretos que reduzam a emissão de gases e tragam impactos socioeconômicos positivos.

“Estamos construindo aqui, uma importante ferramenta para a tomada de decisões voltada para diferentes setores. Desse modo, temos diferentes oportunidades de retomada da economia com o novo foco, dentro do atual contexto que estamos vivendo em termos econômicos e em termos sanitários”, afirmou o economista”, concluiu Rathmann.