Pernambuco mapeia áreas suscetíveis à desertificação

Estudo, desenvolvido pela Semas, vai subsidiar a formatação de novas políticas públicas de desenvolvimento sustentável para o semiárido

O Governo de Pernambuco fez um grande mapeamento sobre as áreas do Estado que correm risco de sofrer processos de desertificação. Nessa situação, estão atualmente 123 municípios, localizados nas regiões do Agreste e Sertão, além de dois municípios da Zona da Mata Sul, recentemente incluídos no semiárido brasileiro. O estudo, lançado nesta quarta-feira (04) pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas-PE), analisa o fenômeno em cada localidade e servirá de base para subsidiar a formatação de novas políticas públicas de desenvolvimento sustentável.

Intitulado “Zoneamento das Áreas Suscetíveis à Desertificação de Pernambuco”, a pesquisa foi desenvolvida pela Semas-PE, em parceria com a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e a Embrapa Semiárido, representando um investimento de mais R$ 580 mil. O governador Paulo Câmara participou do lançamento por mensagem de vídeo. Ele destacou que o Estado está inserido em uma das regiões mais vulneráveis do mundo a mudanças climáticas, sendo fundamentais ações para identificar e promover um planejamento econômico e socioambiental visando ao desenvolvimento sustentável.

Pernambuco mapeia áreas suscetíveis à desertificação 2“O zoneamento que está sendo lançado no dia de hoje vem justamente responder a essa necessidade de ampliar o conhecimento, como forma de melhor orientar as políticas públicas, numa perspectiva integrada com a sociedade civil. É essencial que Pernambuco esteja preparado para enfrentar os impactos das mudanças do clima, bem como para aproveitar as oportunidades de mitigação do fenômeno”, declarou o governador

O secretário de Meio Ambiente, José Bertotti, também frisou a importância de reduzir as emissões de gases de efeito estufa e se preparar para enfrentar os desafios diante das vulnerabilidades existentes no Estado. “O aquecimento global já traz mudanças climáticas significativas que somos capazes de sentir em Pernambuco, como períodos de secas mais intensos e a perda de ecossistemas naturais. Desta forma, é preciso que trabalhemos para aumentar a resiliência do nosso semiárido. Aqui temos um instrumento técnico para nos ajudar na construção de alternativas para cada região”, disse o secretário.

O superintendente da Sudene, Evaldo Cruz Neto, e o chefe-geral da Embrapa Semiárido, Pedro Gama, salientaram a relevância do documento não só o estado como demais regiões integrantes do semiárido brasileiro. “Esse tema impõe imenso desafio para as instituições de pesquisa e desenvolvimento, principalmente em um cenário desfavorável de mudanças climáticas e foi importante a Embrapa poder contribuir com o aprimoramento dessas informações”, ressaltou Pedro Gama.

A Publicação

O documento, ao longo de suas 120 páginas, oferece uma melhor compreensão do processo da desertificação, a partir de indicadores biofísicos consensuados na literatura sobre a temática: cobertura vegetal e tipos de solo, tanto vistos separadamente, como também de forma integrada. E para viabilização da primeira etapa deste levantamento, foi realizada a identificação/caracterização de fatores socioambientais (solos, ambientes, cobertura vegetal, clima e socioeconomia); mapeamento; processo digital e verificação da verdade terrestre.

Na segunda etapa, foram realizados 61 encontros, intitulados “Diálogos Municipais”, – abrangendo os 122 municípios – e 14 workshops por região de desenvolvimento. Os encontros permitiram aos atores locais trabalhar a percepção sobre temas gerais como o Semiárido e a desertificação, além do significado e importância do zoneamento. O dossiê faz parte do Programa de Ação Estadual de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (PAE/PE).