Pelicanos são transferidos para o BioParque do Rio.

A transferência desses animais atende ao novo Plano Diretor do Zoológico do Recife que foca na preservação da biodiversidade local

Com o novo propósito do Zoológico do Recife em focar suas ações conservacionistas na fauna nativa, o Parque de Dois Irmãos transfere, nesta quinta-feira (04), duas aves exóticas para o BioParque do Rio, localizado na capital fluminense. São dois pelicanos (Pelecanus onocrotalus) machos que chegaram ao equipamento administrado pela Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas/PE) em dezembro de 2007. Saudáveis e brincalhões, eles vão para o Rio de Janeiro, em caixas especiais para transporte de animais silvestres, em um voo direto.

Os preparativos para a viagem vão começar muito cedo no zoo, por volta das 6h da manhã. O voo está marcado para às 10h50, mas como são passageiros especiais precisam chegar bem antes. Por isso, uma equipe de três tratadores e dois biólogos está escalada para organizar tudo e acompanhar as aves consideradas de grande porte até o aeroporto. Esta semana, os grandões também precisaram passar por uma consulta com o veterinário para checar a saúde, que está em ordem.

O gerente de manejo de fauna do Parque de Dois Irmãos e veterinário, Márcio Silva, explica que a saída e a chegada de animais estão ocorrendo gradualmente, obedecendo o plano de ação com lista de prioridades, checagem das instituições receptoras e doadoras. “Assim como o público, temos um grande carinho por cada animal. Nos envolvemos pessoalmente com o processo de transição do plantel, pois a garantia do bem-estar dos animais é nossa prioridade”, diz o gestor ressaltando também a importância da missão do zoo agora em preservar a fauna da Caatinga, Mata Atlântica e zonas de transição.

Nascido em março de 2006, os pelicanos vieram do zoológico de Americana, no interior de São Paulo. Acostumados com a presença de humanos, eles chamavam a atenção dos visitantes com suas brincadeiras e pela curiosidade. Gostavam muito de ficar próximo à divisória do recinto e de abrir as suas asas. São aves bem grandes com cerca de 15 kg e uma envergadura da asa de quase dois metros. Adoram comer peixe, em especial sardinha e tilápia.

Em vida livre, animais dessa espécie são excelentes pescadores de peixes marinhos. Muito adaptados ao ambiente, eles nadam e mergulham muito bem, além de terem a capacidade de voar grandes distâncias. Alimentam-se principalmente de peixes e crustáceos. O bico longo possui uma bolsa ou papo que ajuda na pesca das presas. Vivem próximos a grandes corpos d’água, sejam elas interiores (lagos, lagoas, rios) ou costeiras.

Novos animais – O Parque de Dois Irmãos informou que tem expectativa de receber novos animais até o início de setembro. São tamanduás-mirins, furões e tucanos. Eles vêm do Centro de Triagem de Animais Silvestres da Bahia, em Salvador, que não obteve sucesso na reintrodução desses à vida livre.

População selvagem – Com o plano de populações do zoológico do Recife, o perfil de animais abrigados muda, ocorrendo a saída de algumas espécies e a chegada de outras. A perspectiva é que permaneçam no espaço apenas os indivíduos nativos da Caatinga, Mata Atlântica e zonas de transição da Mata Atlântica. O plano divide os animais em quatro categorias: Adoção (a serem transferidos para outras instituições, integrando programas de adoção); Acolhimento (apenas manutenção); Embaixador (reprodução conforme necessidade dos programas de conservação); e Foco (integrantes dos programas de revigoramento populacional).