O felino nasceu no PEDI e está completando 12 anos neste sábado (07/05). O parque preparou um presente especial para homenageá-lo

A história da chegada de “Pelé” ao Parque Estadual Dois Irmãos foi bem especial. Começou, na verdade, com a vinda da sua mãe “Jaboticaba”, que havia sido transferida do Zoológico de Salvador.  O que ninguém sabia é que a fêmea, que já havia passado por duas gestações cujos filhotes não vingaram, estava prenha. Um mês depois, veio a surpresa: nasceu “Pelé”, uma onça-pintada linda com a pelagem escura igual à da mãe.  Neste sábado (07/05), “Pelé” completa 12 anos e o Parque Estadual Dois Irmãos preparou uma programação especial para homenagear o felino e a espécie, que está ameaçada de extinção do Brasil. 

“Pelé” completa 12 anos neste sábado (07/05)

No seu aniversário, a equipe técnica do PEDI vai dar um presente para Pelé com enriquecimento ambiental, com tudo o que ele gosta de comer e com um plus: um osso para interação. O presente será entregue no final da manhã e quem for ao parque poderá conferir a celebração e ainda saber mais sobre a espécie. “Pelé” é um animal bastante saudável, pesa aproximadamente 60kg. Por ter nascido em cativeiro, não foi possível ser reintroduzido na natureza. Mas no PEDI, recebe todo o tratamento adequado.  Conta com acompanhamento de biólogos e veterinários e passa por avaliações periódicas de saúde, o seu manejo acontece uma vez por ano. Carnívoro, alimenta-se diariamente de carne de boi, de frango, de porco e de vísceras de boi. É um animal temperamental (bem bravo), mas bastante responsivo, ágil, rápido, sobre em árvores e nada muito bem. O espaço dele foi melhorado recentemente e conta com lago, árvores e novos instrumentos. 

Onça-pintada “Pelé” nasceu no PEDI e neste sábado (07/05) completa 12 anos de idade

Única onça-pintada no Parque, a pelagem de “Pelé” chama a atenção. É de coloração escura, aparentemente preta, caracterizada por um fenômeno conhecido por melanismo (grande acúmulo do pigmento melanina). “Embora ele tenha pelo de cor preta, as rosetas que caracterizam a espécie podem ser vistas na pele do animal de acordo com a luminosidade no ambiente. Independentemente da cor, esses felinos podem cruzar e daí nascer filhotes. A possibilidade de nascer uma onça-preta é bem menor do que o de uma onça-pintada, cerca de 6%. O que torna Pelé ainda mais especial”, explica Fernanda Justino, coordenadora da Divisão de Veterinária e Biologia do PEDI.

“Pelé” filhote. Imagem de arquivo do PEDI.
“Pelé” com sua mãe “Jaboticaba” . Imagens de arquivo.

A onça-pintada (Panthera onca), também conhecida como onça-preta ou jaguar, é considerada o maior felino das Américas (podendo chegar a pesar 135 kg) e o terceiro maior do mundo, perdendo em tamanho apenas para o tigre e do leão. Ocorre em quase todos os biomas brasileiros (Mata Atlântica, Floresta Amazônica, Pantanal, Caatinga, Cerrado), com exceção do Pampa, sendo que 50% da área do país ainda é considerada adequada à ocorrência da espécie. De acordo com dados do ICMBio, apesar desta ampla distribuição, o tamanho populacional efetivo estimado é menor do que 10.000 indivíduos. Dentre as principais ameaças à espécie, estão a perda e fragmentação de habitat associadas principalmente à expansão agrícola, mineração, implantação de hidrelétricas, ampliação da malha viária e a eliminação de indivíduos por caça ou retaliação por predação de animais domésticos. 

A diminuição iminente dos remanescentes florestais também representa uma ameaça à onça-pintada no Brasil. É um animal com hábitos predominantemente crepusculares e noturnos, sendo mais ativo ao anoitecer, embora não seja raro encontrá-lo se deslocando e caçando durante a luz do dia. Sua área de vida varia muito, de acordo com o ambiente, a disponibilidade de presas e a densidade populacional de onças.  É um animal de topo da cadeia alimentar, ou seja, que controla populações de outras espécies e, com isso, sustenta um delicado equilíbrio entre fauna e flora. Sua presença é um importante bioindicador da qualidade de um ambiente natural. Na natureza, a sua expectativa de vida é de 12 a 15 anos. Em cativeiro, como “Pelé”, a expectativa é de cerca de 20 anos.

Fotos: Lu Rocha/ Semas PE