A 27ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP27), que está acontecendo na cidade egípcia de Sharm El-Sheik, começou pra valer para Pernambuco nesta quarta-feira(9). Momento em que a Secretária Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Inamara Mélo, participou de dois importantes debates organizados pela coalizão Under 2 no Brazil Action Hub. 

A agenda da gestora teve início no painel “Estratégias dos Estados Latino Americanos para alcançar os compromissos de Paris pela perspectiva das alianças climáticas”. Ao lado da Governadora do Ceará, Izolda Cela, do Secretário de Governo de São Paulo, Marcos Penido, e da Diretora Geral de Transversalidade e Governança Territorial da Secretaria de Meio Ambiente de Jalisco no México, Sofía Morales, a gestora pernambucana apresentou o trabalho de mitigação e adaptação às mudanças climáticas que está sendo implementado no Estado.

A Secretária ressaltou o fato de Pernambuco ser um importante partícipe das alianças climáticas, reforçando que a elaboração do Plano Estadual de Descarbonização e o lançamento do Inventário de Emissões de Gases do Efeito Estufa, com dados desagregados por município, foram desenvolvidos em razão do Estado ter se esforçado para realizar um trabalho em rede, contando com parcerias. “Precisamos de todos juntos, lutando e defendendo a bandeira do meio ambiente. Nós, enquanto gestores públicos e, particularmente, gestores de meio ambiente, temos uma tarefa gigantesca que precisa ser reconhecida e valorizada. Todos nós precisamos fazer com que o alerta à sociedade seja escutado e que de fato isso se transforme numa ação coletiva, juntando a sociedade, as empresas, o setor produtivo, e todos os governos e instâncias”, declarou.

Inamara Mélo também defendeu que é necessário, para o Brasil, retomar o desenvolvimento social, o crescimento econômico e o combate à fome e às desigualdades, de modo a dar conta do cumprimento dos compromissos climáticos. “Nós precisamos nos preocupar com as pessoas, pois alguns não pensam na crise climática sob essa ótica. A agenda do clima é também a agenda de combate à miséria, à pobreza, às desigualdades. A gente precisa defender isso com muita garra, disposição e coragem. Do contrário, medidas adotadas e soluções tecnológicas desenvolvidas servirão para alguns e não para todos”, argumentou Inamara, que destacou também que todas as ações pensadas para a mitigação devem incorporar aquilo que é o bem-estar da humanidade.

Durante o segundo painel do dia “Transição (realmente) justa: a transformação energética acontece nas cidades”, a gestora pública ambiental pôde relatar as expectativas que  Pernambuco tem com o processo de aceleração na utilização de fontes de energias sustentáveis, ressalvando que este cenário pode representar um grande desafio, mas também uma grande oportunidade. “A gente está falando de um potencial de geração de emprego para 280 mil pessoas, ou seja, o dobro dos empregos já existentes no âmbito da energia renovável. Por outro lado, um estudo feito por nós junto com a Sudene demonstra que 135 municípios pernambucanos estão sujeitos à desertificação. Isso significa também uma quantidade significativa de pessoas que precisam ser olhadas neste contexto do aumento da geração de energia renovável”, afirmou Inamara Mélo.

A secretária também apresentou no painel, o comprometimento de Pernambuco com a redução das emissões dos gases do efeito estufa e o desenvolvimento do seu Plano de Descarbonização. Apontando que é importante que se chegue em 2050 quadruplicando a capacidade instalada de geração eólica e solar centralizada, além de aumentar em oito vezes a energia solar distribuída. De acordo com a gestora, é provável que Pernambuco atinja essa meta rapidamente, em função também da produção do hidrogênio verde, que pode trazer ainda mais aceleração ao processo de geração de energia renovável. 

Para Inamara, no entanto, os estados não podem incorrer num cenário em que o estado se apresenta fazendo mais concessões à iniciativa privada, em detrimento daquilo que serão os riscos ambientais e sociais decorrentes desses tipos de empreendimentos. Para ela, a energia renovável precisa significar justiça climática. “Precisamos de uma nova normatização, que necessita uma pactuação. É preciso que o licenciamento ambiental dos empreendimentos de energias renováveis aconteça em outras bases. Ou, nós teremos um desmatamento acelerado na região Nordeste. Esperamos que com o Congresso Nacional, com a possível retomada do Conselho Nacional de Meio Ambiente e, com um pacto entre os estados, seja possível chegarmos a soluções que garantam que as populações que mais precisam sejam as maiores beneficiadas pela geração de energia renovável em nosso país, particularmente na região Nordeste”, concluiu.