Colaboradores do MST, moradores da localidade e voluntários plantaram 300 mudas doadas pela Semas-PE no assentamento Che Guevara, em Moreno

Mais de 100 pessoas se reuniram, neste sábado (07), para participar de um plantio solidário no assentamento Che Guevara, área rural do município de Moreno. Eram moradores da localidade, colaboradores do Movimento das Trabalhadoras e Trabalhadores Sem Terra (MST) e muitos voluntários vindo de diferentes cidades da Região Metropolitana do Recife. Todos tinham o mesmo objetivo: plantar 300 mudas de árvores nativas da Mata Atlântica de Pernambuco, para ajudar na recuperação de parte da mata ciliar do Rio Várzea do Uno e de uma de suas nascentes.

As plantas – doadas pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas-PE) – saíram do viveiro-escola do Parque de Dois Irmãos, no Recife, para ganhar uma nova casa pelas mãos de homens e mulheres, que vivem no campo e nos centros urbanos. Os berçários foram abertos num perímetro de 1,8 quilômetros, nas duas margens do corpo d’água e ao redor de uma nascente. O local recebeu exemplares de Angico, Jenipapo, Ipê Amarelo e Roxo. As plantas foram distribuídas respeitando as características das espécies e de forma ainda a possibilitar a criação de lavouras entre elas.

“Tudo que fazemos depende dos recursos naturais e se a gente não preservar, um dia pode acabar. Temos que ter essa consciência. Por isso, é tão importante o que está sendo feito aqui neste assentamento: reconstituir a mata ciliar do Rio Várzea do Una. O Governo de Pernambuco acredita e apoia este tipo de ação. E mais importante do que a muda doada é o que o MST consegue fazer no Brasil, assegurando a terra para as pessoas produzirem e reforçando os cuidados com a natureza. Esse trabalho vai frutificar”, disso o secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade, José Bertotti, que acompanhou o plantio.

A ação foi organizada pelo MST e pela Arquidiocese de Recife e Olinda. Ela integra o Plano Nacional do MST “Plantar Árvores, Produzir Alimentos Saudáveis”, que tem como meta ampliar o verde com cerca de 100 milhões de novas árvores em todo país, num prazo de 10 anos. “Dentro do programa emergencial de reforma agrária popular, está a ideia de plantar 100 milhões de árvores. E, é preciso começar, pois 10 anos é muito rápido. Preparar a coleta de sementes, os viveiros e depois o espaço para plantio. Recuperar as nascentes e plantar árvore nativa é para todos os locais, do litoral ao sertão”, ressaltou Jaime Amorim, integrante da Direção Nacional do MST.

Amorim também defendeu que a reforma agrária precisa estar associada ao cuidado com a natureza e um modo de produção mais sustentável. “A gente precisa intervir no nosso espaço, alterar e construir um modelo de desenvolvimento menos agressivo, no qual possa haver uma convivência amistosa entre nós que precisamos explorar a terra e a natureza como um todo. Isso é possível. Nós podemos criar um novo sistema de produção”, pontuou do dirigente do movimento.