Médicos veterinários constataram a existência de tumores na boca e na testa do animal. Ainda se aguarda o resultado dos exames patológicos. O leão passa bem.

Considerado idoso por ter 20 anos, o leão do Parque Estadual de Dois Irmãos passou, no último domingo (18), por uma longa bateria de exames. O manejo do animal foi realizado por uma equipe de multiprofissionais, formada por mais de 30 pessoas, entre médicos veterinários de diferentes especialidades, técnicos, biólogos, zootecnista e tratadores. O check-up – promovido pelo Parque em parceria com quatro clínicas veterinárias privadas, UFPE e UFPB – revelou que, embora apresentasse poucos sinais da idade avançada, o leão está com tumores na boca e na testa.

O procedimento durou cerca de três horas e o animal precisou ser anestesiado. Nesse tempo, ele passou por consultas com veterinários especializados em clínica geral, odontologia, oncologia, cardiologia, além de fazer exames de imagem (radiografia, ultrassonografia, eletrocardiograma e ecocardiograma). Três cirurgiãs – presentes ao manejo – também coletaram sangue e amostras dos tumores. O material foi encaminhado para análises em laboratório e ainda se aguarda a saída dos resultados. Leo, como carinhosamente é chamado o animal, se recuperou bem da anestesia.

Segundo o responsável técnico pelo Parque de Dois Irmãos e veterinário, Márcio Silva, a decisão de fazer um check-up veio após o leão apresentar um pequeno sangramento na boca, tratado com anti-inflamatório. “Não notamos nenhuma alteração no comportamento dele. Só parecia ter machucado a boca, pois consome carne e também alimentos duros, ossos. Como está idoso, pode ocorrer pequenos acidentes ao se alimentar. É normal. Ele foi medicado e o sangramento parou. Mesmo assim, decidimos verificar o que havia ocorrido e aproveitar para fazer um check-up completo nele”, disse.

Márcio Silva explicou que, ao abrir a boca do animal, a dentista veterinária constatou a existência do tumor na base do dente canino inferior esquerdo e era isso que estava causando o sangramento. Já a ultrassonografia, cujo resultado saiu na hora, ainda revelou que o Leo possui algumas alterações no fígado e no baço. Já o coração está bem forte e saudável. “O próximo passo é concluir o diagnóstico. Duas profissionais especializadas em oncologia veterinária acompanharam todo o procedimento e vão nos ajudar a fechar o diagnóstico e decidir a melhor conduta: cirurgia, medicamento oral. Vamos aplicar também homeopatia para ajudar no bem-estar e na recuperação dele”, disse.

Procedimento – Para garantir a segurança de todos os envolvidos e o bem-estar animal, o procedimento foi planejado por uma semana. Foram selecionados os profissionais necessários e convidados vários especialistas de diferentes áreas, assim como listados os exames a serem feitos no leão. Devido à pandemia da Covid-19, a intervenção precisou ainda seguir um protocolo de especial de biossegurança definido pelo Parque de Dois Irmãos, uma vez que os felinos já demonstraram ser suscetíveis ao novo coronavírus.

“Tratar um animal selvagem é bem diferente. Temos uma série de regras de segurança a seguir. Então, quando precisamos anestesiá-lo, temos que aproveitar para fazer um check-up mais completo possível. Também precisamos ter muito cuidado ao sedar um animal idoso, como Leo. Por isso, nos cercamos do máximo de cuidado e contamos com uma equipe multidisciplinar”, reforça Márcio Silva, detalhando que sempre fica um profissional acompanhando os batimentos cárdicos e, após o procedimento, observa-se o animal até ele recobrar a consciência.

Foram parceiras nesse procedimento: Clínica Animalis, Hospital Vetmais, Clínica Vetface, e Focus diagnósticos Veterinários.

Texto: Shirley Pacheco

Fotos: divulgação