Neste primeiro seminário de uma série de nove encontros, o debate girou em torno da implementação de novos modelos energéticos que ofereçam oportunidades econômicas focados em pactos ambientais como o acordo de Paris.

Recuperação Verde: caminhos sustentáveis para os estados, o primeiro de uma série de nove seminários online, focado no crescimento econômico com baixo impacto ambiental e retomada econômica verde pós-pandemia, reuniu em sua abertura, na manhã desta quinta-feira, 27, os governadores de Pernambuco, Paulo Câmara, do Espírito Santo, Renato Casa Grande e o secretário de Infraestrutura e Meio Ambiente de São Paulo, Eduardo Trani, a coordenadora da Câmara Técnica do Clima da Associação Brasileira de Entidades Estaduais de Meio Ambiente (Abema), Inamara Mélo, também Secretária Executiva da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco, além do embaixador da União Europeia Ignácio Ibáñez e do Conselheiro para Clima, Energia, Meio Ambiente e Saúde da Delegação da União Europeia no Brasil, Laurent Javaudin. Em debate a governança multinível, benefícios e oportunidades de crescimento e a discussão de conceitos como Recuperação Verde e Pacto Ecológico Europeu aliada ao desenvolvimento econômico.

O Recuperação Verde: caminhos sustentáveis para os estados, voltado para gestores públicos dos estados brasileiros faz parte do programa SPIPA (Parcerias Estratégicas para a Implementação do Acordo de Paris, na sigla em inglês), ligado à União Europeia, e conta com parceria da Associação Brasileira de Entidades Estaduais de Meio Ambiente (Abema) e apoio da Giz (Agência Alemã de Cooperação Internacional).

O Governador de Pernambuco, Paulo Câmara, na abertura do evento, elogiou a iniciativa da União Europeia e reiterou a importância do diálogo e da colaboração dos estados brasileiros para o avanço da agenda climática. “Pernambuco reconhece a emergência climática e está comprometido em alcançar a neutralidade das emissões de gases de efeito estufa até 2050. Não ignoramos o enorme desafio para alcançarmos essa transformação, que precisará de inovação, de investimentos e esforço de todos os setores, mas também enxergamos que se trata de uma grande oportunidade para a criação de alternativa para o aumento da competitividade e para a construção de uma economia saudável e mais resiliente”, afirmou o gestor.

“Vocês estão começando a antecipar a recuperação verde. Uma cúpula de governadores brasileiros foi muito visível e influente em Glasgow; e Brasil e União Europeia foram parceiros chaves nas negociações da última COP. E a Europa já tem firmado, desde 2019, o Pacto Ecológico Europeu, que é um roteiro bem definido com um pacote de leis e estratégias ambiciosas para alcançar um sistema energético capaz de conduzir a Europa à neutralidade climática em 2050 com espírito de parcerias estratégicas como as do Brasil com a União Europeia”, explanou o embaixador da União Europeia no Brasil,  Ignácio Ibáñez.

Conforme Inamara Melo, a política climática em Pernambuco foi intensificada a partir de 2019, em razão de uma conjunto de fatores, entre eles a ausência do Governo Federal na discussão das políticas ambientais, a exemplo da recusa em sediar a Conferência do Clima em 2019, que fomentou a criação da Conferência Brasileira de Mudança do Clima, ponto de partida para a mobilização dos estados por meio da Abema.

“Mesmo com todas as dificuldades do ano pandêmico e em contraponto ao Governo Federal, a Câmara Técnica do Clima da Abema realizou um levantamento das ações estaduais na agenda do clima, webinários, publicações e apoiou o desenvolvimento de um importante estudo sobre as competências estaduais e municipais na agenda climática. Apesar de imensos desafios, diversos estudos já mostram que, na verdade, estamos diante de grandes oportunidades econômicas e sociais; além da redução de emissões, esse novo caminho promete ganhos econômicos e sociais. Temos que nos agarrar nas oportunidades, atrair investimentos, desenvolver novos negócios sustentáveis e hoje esperamos aprender com a experiência da União Europeia, que já possui um robusto plano de investimentos para a sua descarbonização, que viu a retomada econômica como uma oportunidade de acelerar a mudança necessária para a descarbonização”, ressaltou Inamara .

Painéis

Na primeira parte da atividade, dividia em dois painéis, a diretora de Clima do World Resources Institute (WRI) Brasil, Carolina Elia Genin, apresentou os benefícios socioeconômicos para a criação de uma economia de baixo carbono e as oportunidades setoriais na mesa Uma Nova Economia para uma Nova Era. Baseada no estudo “Uma nova economia para uma nova era: Elementos para a construção de uma economia mais eficiente e resiliente para o Brasil”, a palestrante indicou um conjunto amplo de políticas e ações em torno da sustentabilidade, que podem trazer benefícios de curto e longo prazos para as economias dos estados, em especial nas áreas da indústria e do agronegócio.

O segundo painel, Clima e Desenvolvimento, Os Estados são chamados à Ação, foi apresentado pelo diretor de Articulação Política e Diálogo no Instituto Talanoa, Walter Figueiredo de Simoni. O representante do Instituto Talanoa debateu o protagonismo dos estados em ações de inovação para enfrentar os desafios impostos pela pandemia da Covid-19. Baseada no estudo “Clima e desenvolvimento: visões para o Brasil 2030”, a palestra discorreu sobre os desafios atuais relacionados à descarbonização, apresentando oportunidades de ação em áreas como infraestrutura (saneamento, habitação, etc.) e mobilidade urbana.

A série de seminários traz como principal objetivo auxiliar os governos estaduais na busca de caminhos sustentáveis para o crescimento econômico aliado ao cumprimento das metas de redução de emissões de carbono delimitadas pelo Acordo de Paris. Desta forma, conceitos como Pacto Ecológico Europeu, estarão presentes em todo o evento.

Neutralidade – Para alcançar a neutralidade climática em 2050, a União Europeia planeja implementar ações concretas para reduzir a zero o balanço das emissões de gases de efeito estufa em setores essenciais como energia, transporte e indústria, e implementar ações de compensação e sequestro de carbono, como a recuperação de florestas e áreas degradadas, quando for o caso.