A iniciativa faz parte do Plano de Descarbonização de Pernambuco, que tem o compromisso de neutralizar as emissões de carbono até 2050 no estado. O programa prevê que até 2030 circulem na Ilha apenas veículos elétricos movidos a energia renovável

Um dos grandes vilões do aquecimento global e mudanças climáticas é a emissão de gases poluentes na atmosfera. O Plano de Descarbonização de Pernambuco é uma estratégia estadual para reduzir a emissão de gases de efeito estufa e contribuir para evitar o aumento do aquecimento global e suas consequências. A eletrificação de veículos leves está entre as principais medidas do plano e envolve os setores de Energia & Indústria e Transportes. Nesta segunda-feira (21/03), foi dado o pontapé inicial na medida com o lançamento do Programa Trilha Verde Noronha , que tem como objetivo fomentar a inserção da mobilidade elétrica de forma ambientalmente sustentável e associada à expansão da geração de energia limpa fotovoltaica (solar), contribuindo com a descarbonização da Ilha de Fernando de Noronha, por meio do desenvolvimento e avaliação de soluções e modelos de negócio baseados no uso de Veículos Elétricos em atividades de turismo, serviços públicos, operações da administração local e da Neoenergia Pernambuco. A ideia é que até 2030 só existam veículos elétricos circulando em Noronha.

A cerimônia de lançamento do Programa aconteceu no Palácio do Campo das Princesas

Trata-se de um estudo de pesquisa que vai ajudar a discutir um modelo de mobilidade elétrica no Brasil. Neste primeiro momento, estão sendo disponibilizados para o arquipélago um total de 18 veículos elétricos, sendo 12 adquiridos pelo projeto e seis como contrapartida da Renault, além de 12 eletropostos que serão abastecidos com energia fotovoltaica (solar) para dar recargas nos veículos. São 04 veículos leves da Renault, 04 buggies da eiON, dois veículos leves da Nissan, duas pick-ups da JAC e mais 06 outros veículos de contrapartida da Renault. Os carros serão monitorados de maneira inteligente para verificar consumo, quantidade de quilômetro rodado, eficiência energética.

Governador de Pernambuco verifica como funciona o veículo elétrico que vai para Noronha

“A partir de 2023 nenhum carro a combustão poderá ser comprado para ser utilizado na ilha de Fernando de Noronha. Os carros movidos a combustão terão até 2030 para ainda serem utilizados. Esse é um processo de transição. E nós também trabalharemos, paralelamente a isso, a ampliação do fornecimento de energia renovável na ilha para que a gente também garanta que todo esse processo de produção de energia para os carros elétricos seja feito com energias que são renováveis. Nós temos já pelo Governo do Estado e do grupo Neoenergia um plano de sustentabilidade na ilha feita pela Empresa de Pesquisa Energética – EPE. Este ano ainda será feito um novo leilão para concessão de energia na ilha e todos os parâmetros para a produção de energia,” explica o secretário de Meio Ambiente de Pernambuco, José Bertotti.

Serão implantados na ilha 12 eletropostos que serão abastecidos com energia fotovoltaica

A iniciativa conta com recursos do programa de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) da ANEEL, voltado ao fomento da mobilidade elétrica e pretende criar um Ecossistema de Mobilidade Elétrica envolvendo os participantes da Rede de Inovação do Setor Elétrico (RISE), empresas e entidades locais, com potencial de reprodutibilidade em outros ambientes com restrições ambientais e atividades turísticas.

Lançamento do Programa Trilha Verde Noronha

O secretário José Bertotti falou dos desafios de iniciar um projeto inédito no mercado de energia elétrica no Brasil. “Quando a gente fala em sustentabilidade é exatamente o fornecimento de energia renovável, a possibilidade de exercer as atividades econômicas dentro dos parâmetros que sejam alcançáveis por todos os empreendedores, mas principalmente a solução tecnológica que esse projeto traz aqui: como criar um mercado de energia elétrica para veículos elétricos? Isso não existe no Brasil, ele está sendo criado agora a partir do desenvolvimento de um projeto com a Neoenergia, no qual o Governo do Estado apoia com a cooperação técnica junto com a Universidade Federal de Pernambuco, Fernando de Noronha e o CPQD, de desenvolver esse modelo de venda de energia elétrica. Esse é um mercado em transição. E isso é uma necessidade, principalmente nesse momento que a gente vive de emergência climática”, enfatizou.

Bertotti falou dos desafios de um projeto inédito no mercado de energia elétrica no Brasil.

Fotos: Pedro Caldas/Semas PE