Com foco na neutralidade de emissões de carbono até 2050, especialistas discutiram os desafios da economia regional na 11ª Reunião do Fórum Pernambucano de Mudança do Clima

As perspectivas do reposicionamento nacional do Nordeste, em um cenário ambiental de energias limpas e renováveis, a partir do desenvolvimento de alternativas para a redução de emissões de carbono no Brasil, foram debatidas na manhã desta quarta-feira (24), durante a 11ª Reunião Ordinária do Fórum Pernambucano de Mudança do Clima (FPMC). Coordenado pela Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco (Semas/PE), o encontro foi realizado por meio de videoconferência, e contou com a participação de mais 50 organizações e entidades de diferentes setores, que participaram do debate via chat de perguntas no canal do Youtube da Semas.

Na ocasião, foram discutidos os desafios da economia nacional e regional para a redução de emissão de poluentes e as contribuições de Pernambuco para alcançar o patamar de um Brasil Carbono Neutro. Segundo o secretário da Semas, José Bertotti, o mais recente relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC, na sigla em inglês) alerta para os efeitos do aquecimento global que podem ser irreversíveis, caso providências imediatas não sejam adotadas para revertê-lo. E Pernambuco, segundo o gestor estadual, segue em um caminho importante, quando investe em instrumentos de planejamento que apontam para novas oportunidades e perspectivas, em termos de matrizes energéticas e tecnologias produtivas menos poluidoras.

“O foco é avançar no debate sobre a urgência de reduzir as emissões de gases de efeito estufa e aumentar a resiliência das nossas comunidades em razão desses efeitos. Por isso, a importância de contribuirmos para o enfrentamento das mudanças climáticas, promovendo assim o desenvolvimento de novas oportunidades, tanto do ponto de vista socioambiental, quanto econômico”, afirmou o secretário José Bertotti.

A reunião do ‘Fórum do Clima’ contou com a explanação da pesquisadora da Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (COPPE/UFRJ), Mariana Império; do arquiteto e urbanista da consultoria Planear, Geraldo Marinho, e da economista e professora da UFPE, Tânia Bacelar.

Mariana faz parte da equipe que está desenvolvendo as modelagens para apoiar a construção do Plano de Descarbonização de Pernambuco, que será lançado em fevereiro de 2022. Em sua explanação, debateu soluções para os setores de energia, transporte e uso do solo, nos cenários de um Brasil Carbono Neutro em 2050. Também apresentou prognósticos a partir de um modelo de análise integrada de sistemas energéticos, na metodologia denominada ‘Blues’. O modelo é capaz de avaliar cerca de 30 mil tecnologias, e suas aplicações a longo prazo em cenários de mitigação das mudanças climáticas globais.

Segundo Mariana Império, dentro de um panorama geral, o Nordeste mostra-se muito promissor, com protagonismo no país na geração de energias renováveis. A região aponta para o aumento da geração energia eólica e solar, além da produção de biomassa, no longo prazo. Mariana estima também uma redução expressiva do uso de combustíveis fósseis, como derivados de óleo bruto, carvão e gás natural.

O urbanista Geraldo Marinho debateu o planejamento e desenvolvimento urbano do Estado, numa perspectiva de um futuro sustentável. De acordo com Marinho, a questão climática, que é uma pauta emergente, ainda é pouco presente na agenda da gestão urbana. O urbanista apresentou alguns padrões de ocupação urbana que comprometem a sustentabilidade, e discutiu também as dinâmicas de adensamento das cidades médias. Segundo o palestrante, é preciso investir na busca de soluções tecnológicas, além de se pensar numa mudança de comportamento aliada ao redimensionamento das cidades, diante deste contexto das mudanças climáticas.

O encerramento das explanações ficou a cargo da professora Tânia Bacelar, que discorreu sobre os desafios e perspectivas para o desenvolvimento regional do Nordeste. De acordo com a economista, a questão energética está no centro da discussão ambiental, e a região Nordeste passa a se configurar, dentro do país, como um mapa de soluções com suas fontes de energias limpas e renováveis como fatores potenciais de desenvolvimento. Tânia também destacou que o Nordeste passou por mudanças muito importantes em relação ao dinamismo das cidades médias, mesmo com a importância das metrópoles. Conforme a pesquisadora, é fundamental e estratégico olhar, hoje, para a malha de cidades médias com um olhar associado aos desafios ambientais.

No final de setembro, devem ocorrer reuniões das Câmaras Técnicas do Fórum Pernambucano de Mudança do Clima, para discutir os próximos passos do Plano de Descarbonização de Pernambuco. Uma prévia do documento será apresentada pelo governador Paulo Câmara na COP26 (26ª Conferência das Partes sobre Mudanças Climáticas da ONU), em novembro.