Fórum Clima apresenta ações para reduzir emissões de CO2

Durante o encontro, houve a apresentação dos resultados das Câmaras Técnicas Setoriais voltadas para os temas energia, transporte, resíduos e agricultura, florestas e uso do solo

“Passados cinco anos da COP 21, nesse momento de pandemia, a comunidade científica reforça a necessidade de mais ambição por parte dos governos no enfrentamento da crise climática e para a possibilidade de usarmos a crise como uma estratégia para efetivar as mudanças requeridas. Esperamos que esses novos investimentos a serem utilizados na recuperação econômica de diversas nações nos direcionem para a criação de empregos verdes e para o desenvolvimento econômico de baixo carbono. Mas, precisamos também trabalhar uma governança com ações em escala global, regional e local. Só com a participação de todos seremos capazes de promover as mudanças necessárias”.

Foi com essas palavras que o secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade e presidente do Fórum Pernambucano de Mudança do Clima, José Bertotti, abriu, nesta quinta-feira (10/12), o último encontro anual do colegiado. Realizada de forma virtual com transmissão pelo canal da Semas no YouTube, a reunião foi marcada pela apresentação de ações locais, regionais e nacionais para reduzir as emissões de CO2 na atmosfera. As Câmaras Técnicas Setoriais do Fórum, coordenadas pela Semas-PE, expuseram as propostas de ações para mitigar os Gases de Efeito Estufa (GEE) em Pernambuco.

As quatro CTs detalharam os resultados voltados aos setores de Energia, Transporte, Resíduos e Agricultura, Florestas e Uso do Solo (AFOLU, sigla em inglês), contendo estratégias para reduzir as emissões de GEE. A construção envolveu 84 pessoas de 31 instituições, tendo como principais linhas de ação, as descritas a seguir: Pesquisa, inovação, educação e capacitação; Energia; Transporte; Resíduos; Conservação, recuperação e agricultura sustentável.

Atualmente, a principal fonte de emissão do setor no estado é gerada pela decomposição de compostáveis e recicláveis em aterros e lixões. Diante disso, a CT de resíduos apresentou como proposta de mitigação a diminuição da geração de resíduos destinados aos aterros sanitários e o incentivo à implantação de sistemas de reaproveitamento energético de resíduos. Para tanto, as ações recomendadas são estudo de gestão integrada de resíduos sólidos, implantação de unidades de triagem e beneficiamento, além de incentivo à compostagem doméstica.

Segundo a superintendente de Sustentabilidade e Clima da Semas-PE, Samanta Della Bella, os resultados são preliminares e estão abertos à contribuição. “Estamos trazendo os principais resultados da construção desses planos de mitigação para conhecimento, debate e contribuição. O trabalho ainda não foi concluído, mas é importante apresentá-lo e receber as contribuições dos diversos setores”, destacou.

O secretário da pasta estadual de meio ambiente, por sua vez, destacou que, ao longo do ano, foram mobilizados diversos atores no Fórum, na elaboração dos Planos Setoriais de Mitigação como estratégia ambiental e para integrar as ações sociais e econômicas. “Nos esforçamos, no Estado de Pernambuco, em meio a todas as dificuldades impostas pela epidemia, para dar prosseguimento às políticas da Secretaria Estadual de Meio Ambiente. Estivemos presentes nos mais diversos fóruns locais, nacionais e internacionais, compartilhando as experiências no caminho que guia a política ambiental no nosso Estado”, enfatizou Bertotti.

Os próximos passos das ações das Câmaras Técnicas Setoriais do Fórum são: consulta a especialistas para detalhamento das ações, análise de viabilização/prioridade, quantificação de mitigação e estabelecimento de metas numéricas de mitigação de emissões.

Outras experiências – A reunião do Fórum Clima ainda contou com as participações de Natália D’Alessandro, da WayCarbon, e de Leta Vieira, do Instituto Pelópidas Silveira. Natália – que atua com ênfase nos projetos do setor público – falou dos principais planos de mitigação de gases de efeito estufa no país, ressaltando as experiências realizadas em Belo Horizonte, Salvador, Rio de Janeiro e Região Metropolitana de Campinas, em São Paulo.

Entre os destaques dos planos de mitigação em curso, foram ressaltadas o Plano de Redução de Emissões de Belo Horizonte, em Minas Gerais, que teve como partida um Plano de 2013; O Plano de Desenvolvimento Sustentável do Rio de Janeiro, com base numa agenda climática integrada com os ODS; a proposta para a redução dos gases de efeito estufa para a Região Metropolitana de Campinas/SP, que contou com a participação de 20 municípios de diferentes perfis e portes, além do plano de redução de emissões da cidade de Salvador, na Bahia, cujo diferencial foi a ampla participação dos diversos setores (cerca de 1300 participações), além de uma grande articulação com a academia.

Durante a sua apresentação, Natália D´Alessandro destacou a importância dos estados para tornar mais efetiva a implantação dos planos de mitigação climática: “Atuar em setores de competência do próprio estado (saneamento, tratamento de efluentes e conservação de unidades de conservação). Focar nas fortalezas de atuação como ente federativo e até pressionando o governo federal, além de fomentar ações nos municípios, fornecendo apoio e assistência técnica”.

Recife – Já a gerente de sustentabilidade e resiliência urbana do Instituto Pelópidas Silveira, Leta Vieira, abordou a construção do arcabouço institucional que permitiu a elaboração do Plano Recife Sustentável de Baixo Carbono, com o objetivo a redução da emissão de gases de efeito estufa. O estudo teve como base o primeiro inventário de emissões realizado no Recife, referente às emissões de 2012.

Foi abordada a trajetória da capital do Estado que culmina, neste mês de dezembro de 2020, com o lançamento do Plano Local de Ação Climática da Cidade do Recife, cujo lançamento oficial acontece no próximo dia 15/12. Para a gerente de sustentabilidade, entre os destaques do Plano estão: “Redução nas emissões de gases de efeito estufa, tendo como base o ano 2017. Isso mostra que a cidade está andando num caminho positivo dentro da ótica da política climática”, assegurou Leta Vieira.

Imagens: Flávia Cavalcanti e Caio Ribeiro.