Gestor da Semas falou da importância de ações como o plano de descarbonização e do inventário de gases de efeito estufa

No painel Governos subnacionais rumo ao net zero, da 3ª edição da Conferência Brasileira de Mudança do Clima (CBMC), o secretário estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade, José Bertotti, apresentou o programa Pernambuco Carbono Neutro, iniciativa parceira da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco (Semas/PE) com a União Europeia para elaboração do plano de descarbonização do Estado. A atividade, realizada de forma virtual, na manhã desta quarta-feira (29), contou com a participação dos gestores estaduais das pastas ambientais de estados que aderiram à campanha rumo o net zero, entre eles Minas Gerais, Pará e São Paulo, que apresentaram iniciativas voltadas para a agenda de enfrentamento à crise climática.

O secretário da Semas saudou os participantes e frisou que as políticas desenvolvidas pela secretaria seguem as recomendações do Painel Intergovenamental das Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU. Na ocasião, José Bertotti pontuou ações do estado no enfretamento às mudanças climáticas, destacando entre elas o Inventário de Gases de Efeito Estufa e o Plano de Descarbonização de Pernambuco, a ser realizado em parceria com a União Europeia. Conforme o secretário estadual, o plano é elaborado a partir de projeções da economia atual, considerando os setores que mais impactam em termos de liberação dos gases causadores do aquecimento global. Com isso, é desenhada a trajetória para alcançar a neutralidade carbônica em todos os setores, com metas escalonadas para a redução de emissões (ou compensações ambientais) a serem alcançadas em 2025, 2035 e 2050.

“Em um debate me perguntaram se as metas de redução de gases de efeito estufa estão ousadas o suficiente. Eu digo que elas são necessárias, existem números que indicam que o mundo está 1,1 grau (°C) mais quente que os níveis pré-industriais e a gente está muito perto de atingir o limite crítico de 1,5 grau (ºC). E essas ações precisam ser imediatas, por isso a adesão de Pernambuco ao race to zero, a as ações que estamos desenvolvendo aqui”, afirmou Bertotti, ressaltando que o estado tem uma política contínua de enfrentamento às mudanças do clima desde 2010 e vem desenvolvido diversas ações buscando mitigação das emissões.

“Em 2019 elaboramos nosso primeiro inventário estadual de gases de efeito estufa junto com o Fórum Pernambucano de Mudança do Clima. E no início de 2021, firmamos uma parceria para elaboramos com o União Europeia um plano descarbonização com vistas ao carbono neutro em 2050. Devemos levar para a COP 26 uma síntese do plano com uma lista de ações de mitigação no estado e uma análise para a sua implementação. A gente entende que os governos subnacionais reunidos, juntamente com os municípios, têm esse papel importante para se alcançar as metas do acordo de Paris”, ressaltou o secretário da Semas.

Os gestores dos estados – A secretária estadual de Meio Ambiente de Minas Gerais, Marília Melo, destacou que Minas aderiu à campanha race to zero juntamente com a federação das indústrias do estado e a federação de agricultura. Salientou também que a gestão está trabalhando toda a base regulatória para a ampliação do uso de energias renováveis e já vem diversificado sua matriz energética que, segundo a secretária estadual, tem evitado a emissão de toneladas de gases de efeito estufa na atmosfera. Marília Melo destacou ainda a definição de metas para o aumento de cobertura vegetal.

José Mauro O´de Almeida, secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará destacou a aprovação de uma lei de políticas estaduais de mudanças climáticas, em 2019, que possibilitou que a gestão apresentasse o Plano Amazônia Agora, na COP 25 de Madri. Segundo o gestor, o plano de desenvolvimento tem foco no manejo e uso da terra e da floresta.

O subsecretário de Meio Ambiente da Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do estado de São Paulo, Eduardo Trani, falou sobre a finalização da trajetória de descarbonização realizada pelo estado. Ressaltou ainda ações que já vinham sendo feitas com empresas e que foram retomadas. Segundo Trani, foi levada à última COP, um projeto chamado Acordo São Paulo que chamava o setor industrial e empresas a aderirem voluntariamente a um protocolo em que as indústrias iam reportando suas emissões e fazendo, assim, um trabalho de educação ambiental junto às demais na redução de gases de efeito estufa. Esse trabalho, cuja ampliação deve ser levada à COP26, segundo o secretário, conta, hoje, com 800 empresas associadas.

CBMC – A Conferência Brasileira de Mudança do Clima (CBMC) acontece, entre os dias 27/09 e 01/10, de forma online. São mais de 30 mesas, debates e painéis, todos transmitidos gratuitamente pelo canal do Ethos no Youtube. O diálogo foca nos caminhos para a retomada do compromisso climático firmado pelo Brasil. A NDC brasileira, a descarbonização e a litigância climática estão entre as principais pautas da conferência. A programação é extensa e reflete a urgência que a agenda de meio ambiente e clima tomaram no cenário nacional e a união dos governos subnacionais (estados e municípios), ONGs, comunidade científica, movimentos sociais, e o setor privado pela reversão dele. Confira a programação completa em: www.climabrasil.org.br.

Race to zero – Campanha global que faz parte dos mecanismos da Conferência da ONU. A iniciativa visa mobiliza atores tanto de fora quanto de dentro dos governos nacionais, reunindo o apoio de empresas, estados, cidades, regiões, universidades e investidores em torno de uma recuperação econômica saudável, resiliente e carbono zero que evite ameaças futuras, crie empregos e alavanque um crescimento inclusivo e sustentável.