O I Encontro de Catadores de Pernambuco aconteceu nesta segunda-feira (30/05), no Recife, e contou com o apoio e participação da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, que tem investido na política de descarte adequado dos resíduos sólidos como medida de enfrentamento aos efeitos das mudanças climáticas

Os catadores de recicláveis são grandes aliados para a conservação do meio ambiente, na medida em que prestam o importante serviço de coleta de resíduos nas cidades para uma destinação adequada, evitando que estes materiais entupam galerias, parem em córregos, nos rios e no mar e contribuam para o aumento da poluição e o agravamento de alagamentos e enchentes. A Secretaria de Meio Ambiente de Sustentabilidade de Pernambuco tem investido na política de resíduos sólidos como medida de enfrentamento aos efeitos das mudanças climáticas, com uma meta de zerar os lixões, incentivar a logística reversa, valorizar o trabalho de catadores de recicláveis e aumentar o número de cooperativas e galpões de coletas no estado. Nesta segunda-feira (30/05), a Semas esteve reunida com os profissionais de recicláveis no I Encontro de Catadores de Pernambuco e a pauta principal foi a importância da valorização do catador, da coleta seletiva e da logística reversa para reduzir impactos e evitar o agravamento de tragédias ambientais.

O encontro teve como tema “Eu sou catador, eu sou empreendedor” e reuniu profissionais de todo o estado e convidados nacionais. “Hoje Pernambuco está sediando este importante evento na construção da política pública de reciclagem e de inclusão social de catadores”, disse Tião Santos, coordenador nacional do Movimento “Eu sou catador” e um dos participantes do evento, ressaltando também a relevância histórica da I Conferência Internacional de Resíduos Sólidos, promovida pela Semas em março, no estado de Pernambuco: “um evento que levou a um patamar bem alto, não só o tema, mas também a importância de nós catadores de materiais recicláveis e a importância da inclusão através de organizações de cooperativas e associações”.

Na ocasião, Inamara Mélo, secretária estadual de Meio Ambiente reafirmou o apoio institucional ao movimento de catadores material reciclável: “O Governo de Pernambuco tem dirigido esforços para ampliar o serviço de coleta seletiva, o apoio às cooperativas de catadores, com capacitação e aquisição de equipamentos, e nós, da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, reforçamos o nosso compromisso junto aos catadores e catadoras para apoiá-los nas políticas que possam viabilizar o avanço da coleta seletiva e a valorização destes importantes agentes ambientais, que são sim empreendedores e que, somente por meio de cooperativas, de empreendimentos sociais, é que eles poderão alcançar aquilo que é uma condição de dignidade, de geração de renda, de valorização profissional, de uma atividade profissional extremamente importante para o meio ambiente”.

Em sua fala, Inamara também anunciou que a Semas vinha construindo uma programação para Semana do Meio Ambiente, mas que diante da situação atual, precisou suspender as atividades e que a Semas iria voltar os esforços no momento para ajudar os catadores e catadoras atingidos pelas chuvas. “Durante o mês de junho, vamos dirigir as iniciativas da nossa secretaria para atender dois públicos específicos, o de catadores e os pescadores, já que fazem parte de um público de grande vulnerabilidade socioambiental que são atendidos por políticas e que a gente precisa prestar esse apoio”.

O professor José Bertotti, ex-secretário estadual de Meio Ambiente, também foi um dos convidados de fala do evento e na ocasião traçou um paralelo interessante sobre a importância do trabalho dos catadores para a conservação do meio ambiente, para o funcionamento das instituições e para evitar impactos e tragédias ambientais. “A crise que a gente está vivendo agora com essa tragédia das mortes (na região metropolitana) é causada justamente porque o modelo econômico que hoje é desenvolvido faz com que o lixo – que aparece depois da enchente quando a água baixa – obstrua canais e tire a vida de pessoas. Essa reunião de catadores e catadoras para organizar um processo de cooperativismo, de desenvolvimento da cadeia logística, tanto impacta na redução de custos das prefeituras, quando diminui o volume de lixo que tem que ser transportado e enterrado a um custo de 80 reais a tonelada, como na geração de empregos para a população através das cooperativas que podem fazer a coleta seletiva, a triagem e o reaproveitamento desses resíduos, recuperando esses materiais e fazendo com que eles não sejam mais jogados no ambiente”, enfatizou.

Foto: Lu Rocha/ Semas PE