A Semas está distribuindo 800 kits ao todo para catadores da RMR. A ação de hoje contou com a articulação da CUFA e parceria da Coocencipe.  Esse é só um começo para um conjunto de medidas que visam a valorização do trabalhador de resíduos sólidos, o incentivo à coleta seletiva e à reciclagem

Na tarde desta sexta-feira (01/04), a Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco (Semas), em parceria com a Coocencipe e em articulação com a Central Única de Favelas (CUFA), deu sequência à distribuição de kits de proteção individual para os catadores de recicláveis atuantes na Região Metropolitana do Recife. Desta vez os beneficiados foram os profissionais da cooperativa Coopmetral, da comunidade de Aguazinha, em Olinda.  Esta semana, também receberam os kits os catadores das comunidades de Vila Santa Luzia e Iputinga, no Recife, e de Jardim Atlântico, em Olinda. São calças, toucas, pares de botas, pares de luvas, além de máscaras e protetores faciais que serão utilizados pelos profissionais nos trabalhos diários. E isso é só o começo de um conjunto de medidas que visam a valorização do trabalhador de resíduos sólidos.

Altamiza (CUFA), Edileide (Coocencipe), Edilson Silva (Semas) e Maurício (Coopmetral)

“Essa ação da Semas em parceria com a Coocencipe é de extrema importância para o reconhecimento, valorização e proteção dos catadores que são os maiores agentes ambientais deste país. Nós vivemos numa cidade cercada de rios e mares e potencializar, incentivar e proteger o catador é cuidar da nossa cidade”, relata Altamiza Melo, presidente da CUFA.

Seu Robson é catador de reciclável há 47 anos

“Sou catador desde a infância, comecei no lixão da Muribeca, onde trabalhei por cinco anos. Em seguida fui trabalhar no lixão de Alparcata, em Jaboatão, e finalizei em Muribeca Rua, onde trabalhei por 20 anos. É uma vida longa. Hoje me encontro com 61 anos trabalhando, são 47 anos de vida de catador. Meu sonho um dia é ter um pagamento fixo, essa realidade em mãos como trabalhador e catador de profissão. No Brasil, as coisas sempre são lentas, mas a gente não pode parar de acreditar, sabendo que há um Deus que cuida da gente. Se cheguei até aqui, tenho que continuar acreditando”, disse Robson, catador de recicláveis beneficiado hoje. “Fomos contemplados hoje, através da Semas, com 60 kits de EPIs e dois carroções para transportar nossos bags. Eu agradeço muito a todo o governo de Pernambuco por esta doação”, disse Maurício Nunes, presidente da cooperativa Coopmetral.

Nos kits: calças, toucas, pares de botas, pares de luvas, além de máscaras e protetores faciais

Parte do material doado aos catadores veio da campanha de arrecadação de EPIs para a ação de enfrentamento ao óleo que invadiu as praias do estado em 2019. Os materiais excedentes estavam armazenados e agora estão sendo distribuídos para os trabalhadores.

Catadores de recicláveis da cooperativa Coopmetral na entrega de Kits de EPI

O secretário estadual de Meio Ambiente, José Bertotti, sempre enfatiza: “Os catadores são os maiores prestadores de serviço ambiental do Brasil, mas ao mesmo tempo são aqueles menos favorecidos. Estamos trabalhando na logística reversa para valorizar todos os atores da cadeia e estes são os profissionais que merecem maior atenção, são os que estão na ponta, prestam um serviço ambiental de maneira decisiva e são os que se expõem mais”.

E Pernambuco tem uma meta ambiental bem definida para os próximos anos: neutralizar a emissão de carbono no estado até 2050 como medida de antecipação e enfrentamento aos efeitos das mudanças climáticas. O setor de resíduos sólidos faz parte dos eixos políticos que estão sendo trabalhados. O encerramento dos lixões e o incentivo à coleta seletiva e à reciclagem são algumas das medidas que estão sendo colocadas em prática. 

Edilson Silva fala sobre as ações da Semas no setor de resíduos sólidos

“A nossa ideia é que isso seja um start de uma relação que a gente quer avançar no sentido de desenvolver ecopontos, de organizar os catadores, organizar as cooperativas, para que a gente possa inserir isso dentro de um projeto muito maior que é o nosso Plano Estadual de Descarbonização. Se a gente quiser descarbonizar, na área de resíduos sólidos, nós temos que ter uma ampla rede de trabalhadores, de catadores, de cooperativas, de indústrias, de empresas, que possam nos ajudar a rastrear essa reciclagem, inventariar essa reciclagem e transformar isso num modelo de negócio mais adequado para os catadores. A gente tem o objetivo estratégico que se articula com uma rede de galpões de triagem, que a Semas também está desenvolvendo. São 15 milhões de reais que o Governo do Estado está investindo em galpões de triagem, em parques de compostagem, na compra de equipamentos para poder beneficiar os reciclados com prensas, balanças e a gente espera em 2022 fechar o período no qual a gente consegue dar um salto de qualidade na organização dos catadores e do nosso Plano Estadual de Descarbonização”, explica Edilson Silva, assessor especial de resíduos sólidos da Semas.

“Isso é um sonho que a gente tinha como expectativa para o futuro. Só que ele chegou muito rápido, sem imaginar o tamanho da consideração que o catador está tendo por parte do Governo do Estado e principalmente com o secretário Bertotti que está à frente nesta grandiosa parceria. Parceria esta que os catadores hoje vão ter um valor justo na venda do seu material”, disse Luiz Mauro, coordenador da Coocencipe, que está doando também 10 carroças para os profissionais da reciclagem.

Fotos: Lu Rocha/Semas PE